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Aleksandra Szmigiel / Reuters
Aleksandra Szmigiel / Reuters

Após medalha herdada, Rosângela Santos busca 'emoção do pódio' no atletismo em Tóquio

Velocista diz que bronze conquistado no revezamento por causa do doping russo, com nove anos de atraso, não tem o mesmo peso de uma conquista no pódio

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

06 de julho de 2021 | 15h00

Uma das principais referências do atletismo brasileiro, a velocista Rosângela Santos encara a Olimpíada de Tóquio como a chance de realizar um sonho que ficou pela metade, como ela própria define. A medalha de bronze herdada nos 4x100m, com nove anos de atraso, após o escândalo de doping da equipe russa nos Jogos de Pequim 2008, não teve o mesmo peso para a atleta.

“Ganhei a medalha, mas não tive a emoção do pódio, não teve foto, não teve choro nem meu nome no telão. Quero uma medalha com tudo o que tenho direito. Até com aquela espera do exame antidopingAgora eu quero dar a volta no estádio, ter essa sensação que deve ser muito maneira. ”, brinca a atleta de 30 anos.

No dia 29 de março de 2017, Rosângela Santos, Lucimar Moura, Rosemar Coelho Neto e Thaissa Presti receberam as medalhas de bronze pelo terceiro lugar herdado no revezamento 4x100 m nos Jogos de Pequim-2008. O motivo foi um doping detectado em reanálise de amostras de urina e que que definiu a desclassificação da Rússia. Com isso, a Bélgica ficou com o ouro, a Nigéria com a medalha de prata e o Brasil com o bronze. O Brasil havia terminado originalmente no 4º lugar.

A cerimônia aconteceu durante o Prêmio Brasil Olímpico, evento anual do Comitê Olímpico Brasileiro. “O quarto lugar, a quase medalha, é o pior lugar do mundo. A gente fica pensando o que poderia ter feito diferente. Seria melhor ter ficado em oitavo lugar”, compara a velocista do Esporte Clube Pinheiros e que integra o grupo de atletas patrocinados pela Ajinomoto. 

Por isso, os Jogos de Tóquio representam a chance de um ajuste de contas com o passado. Rosângela vai disputar a mesma prova e também os 100m. “O fato de ter conquistado a medalha com atraso me dá mais força para correr atrás de uma conquista por completo. Eu me sinto e não me sinto medalhista olímpica. Eu tenho a medalha, mas não tenho a sensação da hora.”, completa.

Em sua quarta Olimpíada, a velocista afirma que se sente tranquila depois da pressão dos Jogos do Rio. “Acredito que a tensão e a expectativa em relação à Olimpíada do Rio tenham sido maiores. Havia o fator “casa”, o que significava uma pressão a mais”, diz a atleta que ficou em 5ª na sua semifinal com 11.23, ficando de fora da final.

Nos 100 m, Rosângela sabe de cór os números mágicos. Ela acredita que o tempo de 11s10 pode garantir uma vaga na semifinal. Baixar dos 11 segundos significa uma vaga na final, o seu primeiro e grande objetivo em Tóquio. E ficar na casa 10s80 é se aproximar de uma medalha, de acordo com os últimos resultados das principais competidoras. Seu melhor tempo do ano é 11s35. “Minha expectativa é fazer o melhor resultado da vida. Se vai ser suficiente para a final, nós vamos ver”.

Campeã em Pequim-2008 e em Londres-2012, a jamaicana Shelly-Ann Fraser-Pryce é um dos grandes nomes para buscar um inédito tri olímpico nos 100 m feminino. Mas ela terá pela frente a atual campeã olímpica, a sua compatriota Elaine Thompson. Das seis provas disputadas no ano passado, Thompson fez tempos abaixo dos 11 s em cinco delas, incluindo o melhor tempo do ano de 10.85, obtido em Roma. O recorde olímpico é de 10s62 e pertence à norte-americana Florence Griffith Joyner, em Indianápolis, Estados Unidos, em julho de 1988.

A carreira de Rosângela é marcada por ineditismos. No Mundial de Londres, em 2017, ela bateu o recorde sul-americano nas semifinais, com 10s91. Com isso, a atleta se transformou na primeira brasileira a correr a distância abaixo dos 11 segundos e a primeira sul-americana a participar da final de um Mundial. Na final, ela alcançou o sétimo lugar. A final foi vencida pela norte-americana Tori Bowie, com o tempo de 10s85.

E ela está disposta a ir adiante. Mesmo aos 30 anos, ela já pensa no próximo ciclo olímpico. “Não penso em parar agora. Já estou me programando para o revezamento em Paris", sorri. 

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