@rayssalealsk8
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Após medalha nos Jogos de Tóquio, Rayssa Leal volta às aulas no Maranhão: 'Fadas também estudam'

Skatista de 13 anos recebe homenagem da escola e dos colegas na volta às aulas em Imperatriz, no Maranhão

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

05 de agosto de 2021 | 08h54

Depois de se tornar a atleta mais jovem da história olimpica brasileira a conquistar uma medalha – a prata no skate street -, Rayssa Leal está voltando a sua vida normal. Nesta terça-feira, ela voltou às aulas do 8º ano do Ensio Fundamental na cidade onde mora, em Imperatriz, no Maranhão. Imagine como será a redação de férias dela? Aos 13 anos, ela disputou os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 e conquistou uma medalha de prata.

Sempre sorridente, ela registrou tudo nas redes sociais. Um dos momentos marcantes foi a entrada da menina de 13 anos em uma longa fila cercada dos amigos da escola inteira A skatista recebeu ainda uma homenagem com uma parede decorada com a frase: "If you can dream, you can maket it happen" ou "Se você pode sonhar, você pode fazer isso acontecer".

“Fadas também estudam! Eu tava morrendo de saudade da minha escola, dos meus professores e dos meus amigos! Hoje, quando voltei, fiquei muito emocionada com essa supresa linda! Uma parede todinha para mim. A minha escola sempre me incentivou e estiveram ao meu lado durante toda a minha trajetória. É muito bom estar de volta. Obrigada! Vocês foram essenciais para a conquista desse sonho", escreveu a aluna nas redes sociais. 

Rayssa estuda no Colégio Cebama, escola particular de médio porte que cobra mensalidades em torno de R$ 500. A skatista conquistou uma bolsa de estudos integral em 2015, mais ou menos na mesma época em que ela publicou um vídeo seu fazendo manobras com o skate usando uma fantasia azul da fada. Foi quando o astro mundial do skate Tony Hawk retuitou as imagens. A partir daí, ela viralizou.

Muita gente chorou até a coordenador pedagógica Adriana Bertoldo Cavalcanti. Ela conta que o colégio decidiu por uma recepção simples, mas calorosa por conta da vida agitada que ele vem vivendo nos últimos dias. Foram três momentos de recepção. O primeiro, na portaria da escola, depois de cumprir todos os protocolos de higienização e prevenção contra a covid-19. Depois, na quadra. Por fim, na sala de aula. Em todos eles, muita foto, sorriso e choro. "Ela conquistou um feito mundial, mas a gente conhece a criança Rayssa. É algo difícil de entender. É surreal. Eu, que fui professora dela, confesso que fiquei nervosa ao falar com ela. Afinal, ela é uma estrela", diz a professora Adriana. 

Por conta das competições, o colégio preparou um cronograma específico de reposição de aulas, seja com apostilas ou com conteúdos online. Quando viaja, o pai, Haroldo, entra em contato com o colégio para planejar a reposição dos  conteúdos. A skatista sempre leva o material da escola para as competições e acompanha as atividades de forma remota. Isso quando o fuso horário permite. A próxima etapa do Campeonato Mundial de Skate (Street League Skateboarding) acontece em Salt Lake City, em Utah, nos Estados Unidos, entre os dias 27 e 28 de agosto. "Ela não deixa as lições atrasadas", diz a professora. 

Rayssa é uma aluna dedicada, esforçada, mas não chega a ser nota 10. Suas notas finais oscilam entre 8,0 e 9,5. Os professores já perceberam que ela é de Humanas. Suas matérias favoritas são História, Artes e Filosofia. Também gosta um pouco de Ciências, dizem alguns amigos. 

Antes dos Jogos de Olímpicos, Rayssa optou por acompanhar apenas as atividades online. Ela não foi às aulas presenciais. De acordo com os protocolos sanitários para prevenção da covid-19, as escolas do Maranhão só deveriam receber até 60% dos alunos. De acordo com o colégio, ela viajou para conquistar a medalha já com todas as notas em dia e o semestre fechado.

 

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