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Ivo Lima|ME
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Após morte de onça, Rio-2016 veta presença de animais silvestres

Decisão deve ter impacto no revezamento da tocha olímpica no Pantanal, onde haveria momentos com jacarés, aves e peixes

Nathalia Garcia e Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2016 | 07h02

A morte da onça Juma, após o revezamento da tocha olímpica no Amazonas, provocou mudanças nas próximas paradas do símbolo dos Jogos do Rio. Ontem, o Comitê Organizador assumiu sua parcela de culpa e já decidiu que não existirá mais situações como essa. “Foi alinhado que não teremos mais ações que envolvam animais silvestres e há uma recomendação de atenção especial para momentos com outros tipos de animais”, disse o Rio-2016.

A onça estava sendo deslocada no zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs) quando fugiu. Era acompanhada por veterinários e tratadores e, na tentativa de conter o animal, quatro tiros de tranquilizantes foram disparados. Mesmo após ser atingida por dois dardos, Juma continuou investindo contra um militar. Como procedimento de segurança pela integridade física do cuidador, o felino recebeu um tiro de pistola e morreu.

Alguns animais estiveram presentes no revezamento da tocha, como cavalos, bois, tartarugas e até um boto, e nenhum problema ocorreu. Estava previsto ainda o contato com jacaré no Pantanal, araras e outras aves, e peixes. Mas isso mudou. “Erramos ao permitir que a tocha olímpica, símbolo da paz e da união entre os povos, fosse exibida ao lado de um animal selvagem acorrentado. Essa cena contraria nossas crenças e valores. Estamos muito tristes com o desfecho que se deu após a passagem da tocha. Garantimos que não veremos mais situações assim nos Jogos Rio-2016”, avisou o Comitê.

O coronel Luiz Gustavo Evelyn, do Comando Militar da Amazônia (CMA), lamenta o ocorrido. Ele explica que o tranquilizante leva 12 minutos para fazer efeito, mas ressalta que a onça ficaria imobilizada até a substância ser eficaz. No entanto, teria surtido o efeito contrário. O militar nega que seja consequência de estresse causado pela passagem da chama olímpica.

“Não tem vinculação com isso, a onça estava em transição de um ambiente para outro. A tocha já tinha passado havia mais de duas horas, não tinha muita gente. Não teve estresse. Se você vir a foto dela com o camarada da tocha, está quietinha”, afirma Evelyn, que vê o ocorrido como “fatalidade”.

A repercussão da morte da onça gerou revolta nas redes sociais, e até um abaixo-assinado nomeado “Justiça para Juma” foi criado na plataforma online change.org. O documento, que aponta “uma atitude irresponsável que custou a vida de um animal inocente”, será repassado para o Comando Militar da Amazônia e conta com milhares de assinaturas.

Já o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) alega que “não foi solicitada junto ao órgão a autorização para a onça ‘Juma’ participar do evento da passagem da tocha olímpica.” Por outro lado, estava aprovada a presença da onça Simba. O órgão aguarda uma resposta oficial do Centro de Instrução de Guerra na Selva para adotar “as medidas cabíveis”. O coronel salienta que o animal não saiu de dentro do zoológico, local que fazia parte do percurso do revezamento da tocha.

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