FABIO MOTTA | ESTADÃO CONTEÚDO
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Após os Jogos Olímpicos, arenas são adaptadas para a Paralimpíada

Com cortes, Comitê Rio-2016 remanejou verba prevista para a Paralimpíada

Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

27 Agosto 2016 | 17h00

Enquanto aguardam para receber os Jogos Paralímpicos, o Parque Olímpico da Barra, o Complexo de Deodoro e a Vila Olímpica passam por adaptações para receber os paratletas. As instalações estão sendo adaptadas, principalmente na área de disputa das provas e no acesso dos competidores. Tudo isso ocorre em meio a cortes de custos e readequações de projetos.

Os Jogos Paralímpicos sofreram mudanças profundas em relação ao projeto original. O motivo foi a falta de recursos anunciada no fim da Olimpíada do Rio. Com problema de caixa, o Comitê Rio-2016 remanejou verba prevista para a Paralimpíada e empurrou o problema para a competição que começará no dia 7 de setembro.

Sem dinheiro, os organizadores dos Jogos chegaram a cogitar até mesmo a revisão do programa de disputas da Paralimpíada, mas mantiveram a competição com as 22 modalidades previstas. Os cortes acabaram recaindo sobre a logística e a operação, com locais de disputas sendo remanejados.

No Parque Olímpico, a Arena Carioca 3, por exemplo, receberá a disputa de esgrima em cadeira de rodas, modalidade prevista até mês passado para ser disputada na Arena da Juventude, em Deodoro. Já a Quadra 1 do tênis teve seu piso coberto por gramado sintético e receberá as disputas de Futebol de 5 para cegos. Essa alteração já era prevista.

Equipamentos utilizados nas mais diversas arenas durante a Olimpíada também estão sendo remanejados. O reservado utilizado pelo técnico e jogadores do rugby, por exemplo, saiu de Deodoro e foi instalado ao lado do gramado artificial do Futebol de 5.

Dentro das arenas, as principais mudanças são nas áreas de disputa. “As arenas já são acessíveis, e a grande mudança é na área de competição. O estádio da ginástica (Arena Rio) se transforma em estádio de basquete em cadeira de rodas, a quadra de tênis se torna de Futebol de 5, e assim por diante. A parte significativa é na área de competição e todo o sistema de fluxo de atletas”, explica Gustavo Nascimento, diretor de Instalações do Comitê Rio-2016.

“Temos também uma verificação de acessibilidade. Às vezes temos uma passagem de cabo que precisa ser realocada, um sistema de rampa que precisa se refeito, mas nada muito significativo”, garante.

Assim, quem foi ao Parque durante a Olimpíada e voltar ao local a partir do dia 7 encontrará o local com algumas mudanças. A mais icônica delas, porém, já estava prevista e passou ao largo dos problemas financeiros: os anéis olímpicos estão sendo retirados e substituídos pelo símbolo dos Jogos Paralímpicos, chamado de Agitos.

Deodoro. Segundo principal centro de disputas durante a Olimpíada, o Complexo Esportivo de Deodoro terá uma função “mais discreta” na Paralimpíada. Devido à contenção de custos, as áreas comuns do complexo ficarão fechadas e o público terá acesso apenas às instalações olímpicas.

“Nossa operação em Deodoro será em três arenas independentes: tiro, o Estádio de Deodoro para o Futebol de 7 e o hipismo”, explicou Nascimento. “Temos uma demanda de público muito menor lá (em relação à Olimpíada) e queremos ter eficiência. Não queríamos que o público tivesse uma experiência vazia. A praça de convivência comportava 65 mil pessoas por dia, e a demanda prevista agora é de 20 mil.”

Mesmo com as mudanças, o público brasileiro está demonstrando interesse em acompanhar as disputas in loco. Após assustar os organizadores com a baixíssima venda até o fim dos Jogos Olímpicos, os ingressos começaram a ter forte demanda na última semana. Até sexta-feira, mais de 900 mil bilhetes haviam sido comercializados. O total colocado à venda é de 2,5 milhões.

 

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Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2016 | 17h00

Detentor de dez medalhas paralímpicas e um dos principais nadadores do Brasil nos Jogos que iniciarão na próxima semana, André Brasil lamenta os cortes orçamentários e a readequação dos Jogos Paralímpicos. Apesar disso, o paratleta acredita que a competição será um sucesso e vê a falta de dinheiro como uma chance de “corrigir o que deu errado”.

O nadador passou o período inteiro dos Jogos Olímpicos treinando nos Estados Unidos. À distância, acompanhou o desempenho dos atletas e as notícias sobre rombos no orçamento da organização da Olimpíada e as mudanças que se projetavam para a Paralimpíada.

“Os Jogos vão acontecer assim como a Olimpíada aconteceu. Provavelmente (houve) falha administrativa e organizacional de quem conduz os Jogos, mas, pensando por outro lado, tudo o que aconteceu de errado eles podem corrigir agora”, afirmou. “Talvez o fato de estarem cobrindo o rombo da Olimpíada faça com que, com menos dinheiro, se faça algo até mais bonito, sem as falhas que aconteceram nesse percurso.”

Com a experiência de quem esteve nas duas últimas edições do evento, o nadador acredita que os Jogos do Rio ficarão marcados. “A Paralimpíada vai ser bacana. É um grande evento, e é difícil você ter eventos desse tipo iguais. Pequim-2008 foi de um jeito, Londres-2012 foi de outro jeito, e eu tenho certeza de que o Rio-2016 vai ser totalmente diferente também”, apontou. “O calor da população na Olimpíada já mostrou que a gente pode sobressair sobre as dificuldades e fazer um grande evento.”

O nadador também destacou que, mesmo que o que foi prometido em termos de instalações físicas não seja entregue como o esperado, o aspecto humano dos Jogos Paralímpicos acabará prevalecendo na disputa do Rio. “Eu ainda acho que o grande legado vai ser cultural. A gente tem que ter outra visão sobre a pessoa com deficiência na nossa sociedade”, ponderou.

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