Matt York/AP
Matt York/AP

Após prata, Isaquias pede que governantes 'parem de brigar e olhem para o Brasil'

Canoísta quer mais apoio a projetos sociais voltados para o esporte

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

16 Agosto 2016 | 12h02

Primeiro medalhista olímpico da história da canoagem brasileiro, Isaquias Queiroz aproveitou os holofotes após a prova desta terça-feira para pedir mais apoio do governo a projetos sociais voltados ao esporte. O atleta, que aprendeu a canoagem em um projeto que acabou extinto em poucos meses por problemas na prestação de contas, mandou um recado: "Mostrem essa medalha para quem está no poder no Brasil, no Planalto, para que parem de brigar entre si e olhem para o Brasil".

A declaração foi dada na coletiva de imprensa oficial da Olimpíada, realizada após cada disputa de medalha, e motivou até mesmo um pedido da assessoria do evento para que as perguntas "se resumissem à competição do dia".

"Esta medalha tem muito significado pra mim, pelo fato de eu ter começado em um projeto social. Tem uma parte de tristeza, por essa parte ter acabado no Brasil. Foi um projeto desses que me revelou, e através de um projeto desses que eu consegui a medalha olímpica", afirmou Isaquias. O canoísta começou no esporte aos 11 anos num projeto chamado Segundo Tempo, em Ubaitaba, interior da Bahia.

"Se vocês puderem, tirem foto (da medalha) e mostrem principalmente para quem está no poder no Brasil, no Planalto, para que parem de brigar entre si e olhem para o Brasil. Que continuem acreditando nos atletas e na sociedade, para investir e descobrir novos atletas", pediu Isaquias, segurando a prata que carregava no peito.

"Espero que daqui pra frente este meu resultado, não só o meu, mas também o da Rafaela (Silva, ouro no judô) e de vários atletas que não sejam tão favorecidos na classe (social) possa abrir os olhos da sociedade, e que possa confiar mais nos seus atletas", continuou Isaquias.

"Hoje a gente vê os Estados Unidos, que são uma potência no esporte. O esporte pode mudar a vida de vários jovens, e isso, para começar a mudar, tem que ter incentivo de quem está no poder e no governo", completou o medalhista.

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