Divulgação/ XS
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Após superar dificuldades no Ceará, Silvana Lima sonha com o ouro no surfe em Tóquio

Surfista brasileira vai tentar confirmar sua classificação para os Jogos Olímpicos na última etapa do ano do Circuito Mundial

Andreza Galdeano, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2019 | 11h00

A surfista brasileira Silvana Lima vai tentar confirmar sua classificação para os Jogos Olímpicos de Tóquio, quando a modalidade fará sua estreia no programa, na última etapa do ano do Circuito Mundial, em Maui, no Havaí. Ela disputa o Hawaii Pro, a partir de 25 de novembro, com a pretensão de carimbar seu passaporte para Tóquio. Precisa continuar à frente de Paige Hareb (Nova Zelândia), sua principal rival.

Atualmente, Silvana tem 4.270 pontos de vantagem e sua adversária não conseguiu ir além da 9ª posição nas etapas da elite. Se confirmar a vantagem, ela se juntará a Tatiana Weston-Webb, que matematicamente já confirmou sua classificação para Tóquio-2020. "O surfe estar na Olimpíada é um passo grandioso. Vai ser demais e ajudará muito o nosso esporte. Sonho com este momento e faço de tudo para estar lá", disse Silvana, ao Estado.

Aos 34 anos, a cearense de Paracuru já foi eleita a melhor surfista do País por oito vezes e tem tudo para estar entre as oito mais bem colocadas do Circuito Mundial que vão para os Jogos Olímpicos (com o limite de duas por país). Até por isso, o fato de estar na 12ª posição no ranking não é problema - ela perdeu as duas primeiras etapas do calendário por estar machucada.

Sem hesitar, Silvana afirma que o seu maior sonho como profissional está relacionado à Olimpíada. "Quero a medalha de ouro nos Jogos de Tóquio", diz a surfista, que garante: "Os Jogos Olímpicos são, para qualquer atleta, o maior campeonato. Todos querem estar lá. Para mim, não há melhor momento para o surfe. Estou 100% focada para estar lá".

A competição olímpica vai contar com 20 homens e 20 mulheres, sendo dois representantes por gênero de cada país. Recentemente, Silvana conquistou a medalha de prata no ISA Games, realizado no Japão com a presença dos principais surfistas do mundo. O tipo de onda é parecido com o que os atletas vão encontrar em Chiba, em 2020, e isso deu um combustível extra para ela acreditar que poderá subir ao pódio na Olimpíada.

EXEMPLO DE SUPERAÇÃO

Quem vê o currículo de Silvana Lima não imagina a sua longa trajetória para se tornar um dos maiores nomes do País no esporte. Mesmo com a família trabalhando em uma lanchonete na praia de Paracuru, no Ceará, ela precisou superar até a fome. Hoje, conta com orgulho todas as dificuldades que conseguiu superar.

"Minha infância, apesar de morar perto da praia, sempre foi muito difícil. Tinha falta de tudo. Faltava alimento, remédio, educação... Enfim, minha infância no interior do Ceará foi realmente uma barra", conta Silvana. "Quando resolvi ir para o Rio tentando melhorar de vida, foi a mesma coisa. Eu só recebia não. Não tinha patrocínio e quando a vida começava a engrenar, com patrocínios e títulos, vieram as cirurgias. Fiz quatro operações nos joelhos. Mas, apesar da dor, nada disso me tirava o objetivo de representar bem o meu País e mesmo com tudo isso continuei no ranking como uma das maiores surfistas do mundo. Hoje está tudo bem", completa a surfista.

 

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