Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Após 'trauma' de 2012, Neymar vê final como segunda chance

Em Londres, time brasileiro perdeu decisão para o México

Almir Leite e Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2016 | 05h31

Quatro anos após disputar sua primeira final olímpica e ficar com a prata, Neymar tem, em suas próprias palavras, sua segunda chance. Apagado no início da Olimpíada e decisivo nos últimos jogos, o atacante é a principal esperança para o Brasil vencer a Alemanha e conquistar para o País a primeira medalha de ouro no futebol olímpico. De quebra, se chegar ao alto do pódio se igualará a Messi, seu companheiro no Barcelona e que foi campeão dos Jogos de Pequim/2008.

A conquista do ouro é um sonho de Neymar, que fez questão de disputar os Jogos do Rio. Quando o Barcelona vetou a convocação dele para duas competições – Copa América Centenário e Olimpíada –, o atacante pediu para estar em campo no Rio-2016. “Eu ganhei uma segunda chance”, afirmou o atacante em entrevista à CBF TV.

Em Londres, o Brasil era favorito na decisão com o México, mas um gol no primeiro minuto permitiu ao adversário passar o resto da partida esperando pela seleção – que acabou tomando mais um gol e descontando só no fim, quando já não havia mais tempo para reação.

Neymar afirma que aquela derrota deixou um aprendizado. “O que aprendi ali é que a cada momento você tem que estar ligado, porque em um deslize pode acabar perdendo tudo. Foi o que aconteceu com a gente, desligamos um minuto do jogo e saímos perdendo por 1 a 0”, disse o atacante. “Então, é isso que aprendi. Desde o começo, temos que estar ligados no jogo para não ser surpreendido.”

Daquela final até hoje, o jogador viveu altos e baixos na seleção. Neymar foi um dos responsáveis pelo título da Copa das Confederações de 2013 – cuja final com a Espanha foi disputada no mesmo Maracanã da decisão deste sábado – e viveu um drama na Copa de 2014, quando foi atingido pelas costas na partida com a Colômbia, pelas quartas de final, e acabou ficando de fora da competição.

Com a chegada de Dunga, em julho de 2014, Neymar ganhou a braçadeira de capitão, mas nesse posto ele acabou sendo bastante contestado. O atacante acabou se envolvendo em polêmicas em campo – chegou a ser expulso após encerrada uma partida da Copa América do Chile, no ano passado – e fora dele, quando defendeu colegas de time chamado de “babacas” os críticos em uma rede social.

O técnico Rogério Micale, contudo, resolveu manter a aposta em Neymar como capitão na Olimpíada, e é só elogios ao principal jogador brasileiro. “Ele tem ciência do que representa, não só para o Brasil, mas para o mundo como referência. As atitudes que ele tem demonstrado são um recado”, afirmou o treinador.

Ao menos nesta Olimpíada, Neymar tem falado com os pés – e apenas dessa forma. À exceção da entrevista divulgada pelo canal oficial da CBF, o jogador tem evitado dar declarações públicas desde a vitória por 4 a 0 sobre a Dinamarca. Desde então, optou por fazer silêncio.

Micale garante que o jogador está feliz, e tanto nos treinos quanto na partida diante de Honduras é justamente isso que ele tem demonstrado.

Ontem, na primeira parte da atividade realizada no Ninho do Urubu, onde o Brasil fez seu último treino, ele estava bem à vontade. Na quarta-feira passada, vibrou como poucos a cada gol, principalmente diante da torcida. Terá mais uma chance hoje. E pode se consagrar.

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