Wander Roberto/COB
Wander Roberto/COB

Após vencer a covid-19, Bruno Schmidt perde jogo de dupla no vôlei de praia e dá adeus aos Jogos

Jogador ficou 13 dias internado e teve 70% dos pulmões comprometidos pelo novo coronavírus antes de chegar ao Japão

Raphael Ramos, enviado especial/TÓQUIO, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2021 | 20h00
Atualizado 02 de agosto de 2021 | 12h22

Engana-se quem pensa que a maior vitória de Bruno Schmidt, do vôlei de praia, foi o ouro olímpico conquistado no Rio, em 2016. O atleta de 34 anos, que nesta segunda-feira perdeu o jogo das oitavas de final dos Jogos de Tóquio diante dos letões Martins Plavins e Edgars Tocs, está no Japão celebrando a sua recuperação após ter covid-19.

“Passei o pior momento da minha vida em fevereiro e março. Covid não escolhe ninguém e sou prova disso. Quando saí do hospital, tinha quatro meses para voltar a ser um atleta”, contou o jogador ao lado do parceiro Evandro.

Já na reta final da preparação para a Olimpíada, em fevereiro, Bruno ficou 13 dias internado, sendo cinco deles na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em um hospital de Vila Velha, no Espírito Santo, por causa de uma infecção pulmonar causada pelo novo coronavírus.

Tudo teve início quando os primeiros sintomas apareceram ainda em Saquarema (RJ), no Centro de Treinamento da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). Bruno começou a relatar cansaço e, já de volta para casa, no Espírito Santo, teve febre e o diagnóstico de pneumonia. Levado para o hospital, foi confirmado que se tratava de covid-19.

O atleta chegou a ficar com 70% dos pulmões comprometidos. Seu maior medo era ter de ser entubado, mas ele não precisou passar pelo procedimento, necessário quando o paciente perde a capacidade de respirar sozinho e a suplementação de oxigênio já não dá mais resultados. Na entubação, o doente é sedado e um tubo é introduzido pela garganta até um ponto próximo aos pulmões para que o aparelho de ventilação mecânica mantenha o paciente vivo.

“Ninguém sai de uma situação de acamado para jogar um torneio de vôlei de praia. Eu falei para a equipe que precisava dar passos atrás para ser competitivo. Não foi fácil. O Evandro teve de tomar uma garrafa de paciência do meu lado. A escolha foi acertada. Feliz de ter feito a escolha certa e ter ao meu lado pessoas que me deram a mão na caminhada mais difícil da minha vida”, comemorou o atleta.

Com Bruno se recuperando da covid e debilitado fisicamente, a dupla perdeu etapas importantes nos meses que antecederam os Jogos de Tóquio. “Recolhemos o nosso time, começamos a trabalhar firme e o Bruno voltou a ser quem ele é. Conversamos sobre coisas que precisávamos falar. Tivemos a sabedoria de recolher nosso time”, relata Evandro.

Mas, a experiência de Bruno, eleito duas vezes o melhor jogador do mundo, vinha fazendo diferença. O planejamento deu certo e a dupla avançou às oitavas de final dos Jogos Olímpicos com 100% de aproveitamento nas três partidas da primeira fase. “É fruto do nosso trabalho, a gente treina bastante. E o Bruno me cobra bastante para cada vez ajudar mais, fazer bons saques, bons bloqueios. Levo bronca, mas é para melhorar.” Na disputa para as quartas, a dupla perdeu.

FAMÍLIA

Bruno Schmidt é de uma família de esportistas. O jogador  é sobrinho de Oscar, maior cestinha da história do basquete brasileiro. A irmã Julia conquistou a medalha de bronze no Mundial Sub-21 de vôlei de praia de 2010. Outro tio, o apresentador da TV Globo Tadeu Schmidt, também jogou basquete.

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