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Local da final do torneio masculino, Maracanã vive tempos de incertezas EFE

Arenas do futebol na Olimpíada vêm colecionando problemas

Palcos acumulam prejuízos e são ligados a denúncias de propinas

Almir Leite, O Estado de S. Paulo

09 de julho de 2016 | 16h55

Os torneios de futebol da Olimpíada vão utilizar seis estádios construídos ou reformados para a Copa de 2014 que, dois anos depois do Mundial, enfrentam um problema comum: o prejuízo. Alguns deles ainda encaram denúncias de superfaturamento e de pagamento de propinas a políticos, feitos por construtoras que tocaram as obras.

O Maracanã, estádio da final masculina e onde o Brasil sonha em conquistar o tão sonhado ouro olímpico, é o símbolo do pesadelo que aflige as arenas. No final do mês passado, a Construtora Odebrecht, dona de 95% de participação na concessionária que administra o estádio (a AEG detém 5%), devolveu-o ao governo do Estado do Rio, embora oficialmente sustente que pede a renegociação do contrato. Mas é justamente a impossibilidade de revisão do contrato assinado em 2013, e que vigoraria por 35 anos, que fez a concessionária desistir, após acumular prejuízo de R$ 173 milhões em dois anos.

Para piorar, nesta semana o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) determinou o bloqueio de créditos no valor de R$ 198 milhões às empreiteiras Odebrecht, Andrade Gutierrez e Delta por irregularidades na reforma do estádio como sobrepreço e obras não realizadas.

Sem contar que, em delação premiada no contexto da Operação Lava Jato, um ex-executivo da Andrade Gutierrez disse ter pago propina de 5% por ocasião da reforma ao ex-governador Sérgio Cabral. O político nega.

Local da estreia do Brasil, em 4 de agosto contra a África do Sul – e do segundo jogo, dia 7 com o Iraque – o Mané Garrincha, em Brasília, transborda problemas. Com a previsível subutilização confirmada, amarga prejuízos. No ano passado, o déficit foi de R$ 6,5 milhões, de acordo com a secretaria de Esporte Turismo e Lazer do Distrito Federal.

A Olimpíada representará mais gastos para o governo do Distrito Federal. Serão investidos R$ 32 milhões, R$ 7,1 milhões deles com estruturas temporárias externas no Mané Garrincha. Mas a secretaria estima que os 10 jogos que serão realizados na cidade (sete do torneio masculino) representarão uma movimentação financeira de R$ 156 milhões, o que compensaria, com sobra, os gastos.

Além disso, o Mané Garrincha é um dos estádios da Copa cuja reforma teria sido viabilizada com “ajuda’’ de propinas. Também de acordo com delação de ex-executivos da Andrade Gutierrez, os ex-governadores José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz teriam sido beneficiados. Ambos negam.

A mesma delação também comprometeu os ex-governadores do Amazonas e atuais senadores Eduardo Braga (PMDB) e Omar Aziz (PSD) com a construção da Arena da Amazônia. Os dois repelem as acusações.

Financeiramente, o estádio de Manaus, que receberá seis partidas (quatro do torneio masculino) nos Jogos, enfrenta o mesmo problema do Mané Garrincha. Pouquíssimo utilizado, dá prejuízo. Em 2015, o rombo foi de R$ 6,5 milhões, saídos dos cofres do governo estadual. Impasse. A situação da Fonte Nova também é complicada. O estádio que sediará Brasil x Dinamarca registrou prejuízo operacional de R$ 24,3 milhões em 2015, de acordo com balanço publicado pela Fonte Nova Negócios e Participações (FNP), concessionária formada pelas construtoras Odebrecht e OAS.

O déficit, porém, vem diminuindo ano a ano. A perspectiva é de que o negócio passe a operar no azul em pouco tempo. Mas há um problema que pode ser bastante grave.

Em abril, o Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE/BA) considerou que o contrato de Parceria Público-Privada (PPP) firmado para a reconstrução da arena é ilegal e constatou um sobrepreço de R$ 460 milhões no custo das obras. E deu prazo até agosto para que a concessionária, a Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb) e a Agência de Fomento do Estado da Bahia apresentem um estudo de readequação econômica e financeira para a arena.

Contrato de concessão também está sendo motivo de dor de cabeça no Mineirão. A Minas Arena, formada por três construtoras (Engesa, Construcap e HAP), alega prejuízos porque o plano de negócios firmado com o governo do Estado, que previa 66 partidas por ano, não está sendo cumprido.

Além disso, com a crise o governo reduziu em R$ 2,9 milhões mensais o repasse à concessionária, que há meses negocia uma revisão do contrato.

O Itaquerão tem boas arrecadações sempre que o Corinthians joga. No entanto, a dificuldade para pagar os R$ 5 milhões mensais das parcelas do empréstimo feito pelo BNDES para a construção da arena tem sido grande. Isso porque o clube não consegue vender o naming rights do estádio nem negociar os camarotes.

Com isso, mesmo sendo alta, a receita, de R$ 73 milhões em 2015, ficou aquém dos R$ 112 milhões previstos. Assim, está sendo negociado com o BNDES novos prazos de pagamento. Até agora, não há definição.

E a arena convive com a denúncia de que o conselheiro André Luiz Oliveira, o André Negão, aliado de Andrés Sanchez e candidato a presidente do clube nas próximas eleições, teria recebido R$ 500 mil em propina pelas obras. Ele nega. Chegou a preso, mas alega que foi por porte ilegal de armas. Pagou fiança e responde em liberdade.

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Engenhão também vai receber partidas na Olimpíada

Nos Jogos, capacidade do estádio chegará a 60 mil lugares

Almir Leite, O Estado de S. Paulo

09 de julho de 2016 | 17h14

O Engenhão também será palco dos torneios de futebol da Olimpíada do Rio. A arena vai receber oito partidas, quatro pela competição masculina e outras quatro pela feminina – inclusive os dois primeiros da seleção brasileira, contra China e Suécia, respectivamente.

O estádio inaugurado em 2007 e interditado em 2013 por causa de um problema estrutural grave em sua cobertura, passou por profunda reforma. Não foi, porém, por causa do futebol e sim pelo atletismo, que será o principal destaque do local.

A reforma custou R$ 52 milhões, valor custeado pela prefeitura do Rio de Janeiro. A capacidade de público foi aumentada para os Jogos em 15 mil lugares, passando para 60 mil pessoas.

Após o encerramento dos Jogos Olímpicos e também da Paralimpíada, o Engenhão será devolvido ao Botafogo, gestor do estádio até 2027.

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