Wu Hong/EFE
Wu Hong/EFE

O Estado de S. Paulo

31 Agosto 2015 | 06h59

O atletismo é uma das competições mais badaladas dos Jogos Olímpicos e na edição do Rio, no próximo ano, não será diferente. Grandes estrelas internacionais, a começar pelo jamaicano Usain Bolt, vão competir no Brasil. “Provei que nunca se pode dizer que Usain Bolt está acabado. Sou um campeão e mostro isso. Essa temporada tem sido complicada, mas espero que a próxima seja melhor para chegar ao Rio em grande forma”, disse.

Bolt é o primeiro da lista de atletas que vão atrair a atenção dos torcedores e lotar o estádio. O velocista deixa o Mundial de Atletismo com três medalhas de ouro e, ao lado de outros grandes nomes, como Mo Farah e Yarisley Silva, entre outros, tem tudo para brilhar no Brasil. Serão dez dias de competições: as provas no Rio serão disputadas de 12 a 21 de agosto e ocorrerão no Engenhão, além do Sambódromo, onde será a maratona.

Neste domingo, o Mundial de Atletismo terminou em Pequim com muitos candidatos a heróis e jovens talentos que têm tudo para brilhar na Cidade Maravilhosa. Bolt vai servir de inspiração para todos eles, mas sempre haverá alguém para querer roubar o trono e fazer história. Entre os brasileiros, Fabiana Murer, do salto com vara, é a melhor aposta para brilhar no meio de tantos estrangeiros bons de corridas, saltos, lançamentos ou arremessos.


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O Estado de S. Paulo

31 Agosto 2015 | 06h59

Na prova mais nobre do atletismo, os 100 metros, o grande nome para acompanhar na Olimpíada do Rio é o jamaicano Usain Bolt. Ele é recordista mundial, ganhou o ouro em Pequim e deve ter ótimos adversários ao seu lado na pista. A começar pelos norte-americanos Justin Gatlin, prata no Mundial, e Tyson Gay. Outros dois nomes devem tornar a missão de Bolt mais difícil: Trayvon Bromell, atleta de 20 anos dos Estados Unidos e bronze em Pequim, e o canadense Andre de Grasse, também de 20 anos e que fez o melhor tempo de sua vida em Pequim. No feminino, a grande atração será a jamaicana Shelly-Ann Fraser-Pryce, que correu na China com uma coroa de flores na cabeça e mesmo assim chegou em vantagem para ganhar o ouro.

200 METROS

A holandesa Dafne Schippers deixou as rivais jamaicanas para trás e conquistou o ouro na prova com um excelente tempo, fazendo a terceira melhor marca da história. Com o feito, a velocista entrou para o seleto grupo de atletas para se acompanhar nos Jogos do Rio. Pela primeira vez ela quebrou a marca dos 22 segundos e, aos 23 anos, tem muito a evoluir, já que sua especialidade era o heptatlo - em 2013, no Mundial, ela foi bronze na prova.

400 METROS

A veterana Allyson Felix, de 30 anos, fez fama nas pistas principalmente nas provas de 200 m. Mas no Mundial ela abriu mão de sua especialidade, na qual conquistou os pódios nos Jogos de Atenas (2004), Pequim (2008) e Londres (2012), para brilhar nos 400 m e garantir o ouro com o melhor tempo do ano. Com o feito chegou a nove títulos em mundiais, um recorde no feminino e atrás apenas de Usain Bolt. No Rio, ela deve optar pelos 400 m e tentar mais um pódio olímpico para seu currículo. No masculino, o destaque será o sul-africano Wayde van Niekerk, que ganhou o ouro em Pequim.

10.000 METROS

O britânico Mo Farah levou legiões de torcedores para vê-lo ser campeão olímpico em Londres e tem tudo para fazer bonito e atrair a atenção no Rio de Janeiro. Nascido na Somália, ele se mudou aos 8 anos para o Reino Unido para viver com o pai britânico. Nos Jogos de 2012, ele ganhou dois ouros, nas provas de 5 mil m e 10 mil m, e pretende repetir a dose no Rio. Seus principais adversários são os atletas do Quênia e da Etiópia, que costumam correr bem nessas distâncias

SALTO COM VARA

Na prova que a brasileira Fabiana Murer tem chance de medalha, a estrela é a cubana Yarisley Silva, que vive grande fase. Ela conquistou o ouro no Pan de Toronto e repetiu a dose no Mundial em Pequim. Outras atletas que vão brigar pelo pódio são: a grega Nikoléta Kyriakopoúlou, as norte-americanas Sandi Morris e Jeniffer Suhr, e a russa Anzhelika Sidorova. Isso sem contar em Yelena Isinbayeva, recordista mundial que não esteve na competição em Pequim. No masculino, a grande aposta é o francês Renaud Lavillenie, que viu a medalha escapar na China: o ouro ficou com Shawnacy Barber.

SALTO TRIPLO

O atleta norte-americano Christian Taylor surpreendeu ao bater o cubano Pedro Pichardo na prova em Pequim com uma marca bastante expressiva. Ele saltou 18,21 m e ficou a apenas oito centímetros do recorde mundial, que é do britânico Jonathan Edwards, conquistado em 1995. Curiosamente, Taylor iniciou o salto 11,5 centímetros antes da linha de salto. Se fosse um pouco mais preciso, teria batido o recorde mundial em Pequim. No feminino, a colombiana Caterine Ibargüen chega ao Rio com o título mundial e melhor marca no ano com o salto de 14,90 m em Pequim.

LANÇAMENTO DE DARDO

O queniano Julius Yego promoveu uma das maiores surpresas do Mundial de Atletismo ao ganhar a medalha de ouro no dardo. Primeiramente porque os atletas de seu país não tinham tradição neste tipo de prova - foi o primeiro ouro do Quênia sem ser nas provas de corrida. Depois, porque além de ficar no lugar mais alto do pódio, fez uma marca incrível, a terceira maior da história, ao arremessar a 92,72 m de distância. No feminino, o destaque é a Checa Barbora Spotáková, campeã olímpica em Pequim (2008), Londres (2012) e que vai tentar o tricampeonato no Rio de Janeiro.

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Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

31 Agosto 2015 | 06h59

A menos de um ano da Olimpíada, o atletismo brasileiro gera desconfiança depois de desempenho apagado nos Jogos Pan-Americanos de Toronto e no Mundial em Pequim. Em entrevista ao Estado, o presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), José Antonio Martins Fernandes, fala sobre o investimento para os Jogos do Rio e rebate as críticas sobre o mau momento da modalidade.

Alguns atletas mostraram descontração e brincaram com a câmera mesmo após resultados ruins no Mundial. Acha que falta comprometimento e seriedade?

Eu vi apenas um. O atleta que fez isso é jovem e disputou o seu primeiro Mundial. Vai ser criticado? Não foi antes ou durante a competição, foi depois. Talvez ele tenha dado um suspiro de alívio, não fez nada de errado porque tinha terminado a missão dele, não vejo uma atitude crítica. Não estou defendendo nem condenando. Não conversei com o atleta, mas ele foi orientado a ter uma postura condizente com o papel que desempenha na seleção. Mesmo assim, vou esperar o relatório da delegação e vamos analisar os fatos. 

Como você avalia o desempenho dos atletas brasileiros em Pequim?

Tenho escutado muito que a CBAt não está investindo no atleta, isso é uma grande injustiça, uma inverdade. Temos hoje cerca de 300 contratos de patrocínios entre técnicos, atletas e equipe multidisciplinar. De onde vêm esses contratos? Uma parte do patrocínio da Caixa, para alguns atletas que a gente investe diretamente. Como é feita a escolha? É baseado num ranking internacional dos resultados dos atletas no ano anterior. 

Qual é o valor desse contrato de patrocínio? 

Temos cerca de 20 eventos nacionais, participações internacionais e isso tem um custo. Tudo é dividido dentro do orçamento, não posso colocar todos os ovos em uma cesta para ajudar o atleta ou técnico. Posso te garantir que mais ou menos R$ 5 milhões são investidos com atletas, técnicos e equipe multidisciplinar. A verba vem uma parte do patrocínio da Caixa, que é privada, a outra parte é do governo federal pela Bolsa Pódio e outra parte é o convênio direto com o Ministério do Esporte para manter quatro centros nacionais. Rio e São Paulo têm uma definição muito importante nessa questão do peso da convocação dos atletas. A gente ainda recebe ajuda para os revezamentos através do fundo de reserva do COB. São muitas frentes. Também tenho ouvido críticas sobre periodização de treinamento dos atletas. Os atletas vêm dos clubes, que não aceitam a interferência da Confederação no dia a dia. Não tenho condição de fazer supervisão diária do atleta, a Confederação tem de respeitar o clube.

Alguns membros da comissão técnica reconheceram que o desempenho no Pan foi abaixo do esperado. Qual é sua opinião?

Discordo completamente. No Pan, fizemos 39 finais, perdemos para Canadá e Estados Unidos. Ganhamos no número de medalhas de Cuba e de outros países, ficamos em terceiro, ganhamos em pontuação. Nós perdemos em número de ouros somente. Não é fracasso como falaram. É difícil equacionar uma meta, o atletismo depende do dia do atleta.

E no Mundial?

Estamos com uma equipe muito nova, em transição, temos muitos atletas com até 22 anos. Nós abrimos o leque para que novos talentos estejam sendo preparados para 2020.

O planejamento então pensa até mais em 2020 do que em 2016? 

Exatamente. O que estamos fazendo para 2016? Chegando do Mundial, vamos fazer uma reunião e cada atleta vai ser monitorado quinzenalmente. Vamos pedir que os técnicos e os clubes mandem para nós todo o treinamento que está sendo realizado. Serão 25 atletas na condição de monitoramento específico. Claro que a gente não tem condição de ajudar atletas no Brasil todo, mas um atleta que esteja fora desse núcleo pode entrar por seus resultados. Ao mesmo tempo, os jovens continuam sendo monitorados junto com atletas mais estabelecidos.

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