Atletas brasileiros já arrumam malas para as Olimpíadas

Mais de 150 esportistas do País garantiram vaga nos Jogos, que começam em 8 de agosto

Heleni Felippe, de O Estado de S. Paulo,

29 de fevereiro de 2008 | 07h03

Mais de 150 atletas brasileiros já podem fazer as malas para ir a Pequim, na China, para os Jogos Olímpicos, de 8 a 24 de agosto. O Brasil ainda está no meio das seletivas, mas 155 têm vaga assegurada e estão em plena preparação, disputando eventos-testes nas instalações chinesas e planejando, com suas equipes técnicas, os desafios até agosto chegar. No ano passado, o Brasil fez um Pan-Americano brilhante, no Rio, com recorde de medalhas (157, sendo 52 de ouro, 40 de prata e 65 de bronze). Agora é preciso ter consciência de que a expectativa para a Olimpíada é diferente. Os Jogos vão impor adversários muito mais fortes e o número de medalhas será drasticamente reduzido.  ESPECIAL PEQUIM 2008 China pronta para o desafio A ameaça que vem de dentro Ousadia e modernidade Aeroporto, o maior símbolo da nova era Ippons pelo mundo 'Até hoje eu me emociono' Olimpíada longe de Pequim  Almanaque Jogos têm maratona diferente e piscina No tiro, a 1.ª medalha de ouro do Brasil Jesse Owens tira Hitler do estádio Consagração do judô e do vôlei masculino Esporte e turismo Pacotes para a China já estão no fim  Confira cobertura online Mesmo integrantes da elite mundial, como o nadador Thiago Pereira, multicampeão no Pan do Rio, com 8 medalhas (6 ouros, 1 prata e 1 bronze), terão desafios intensos em Pequim. O sucesso de Thiago o levou às comparações com o fenômeno norte-americano Michael Phelps, recordista mundial dos 200 m medley (que reúne os quatro estilos: livre, borboleta, peito e costas), prova forte do brasileiro. Os dois se encontraram neste mês, no GP de Missouri, nos Estados Unidos, mas apenas nos 400 m medley, em que também concorrem. E Phelps venceu, com facilidade (4min14s08). Thiago foi prata (4min18s49). Sem o fenômeno para atrapalhar, Thiago ganhou ouro nos 200 m medley (2min00s24). O melhor tempo de Thiago, recorde sul-americano, nos 200 m medley é 1min57s79 - a 2s81 de Phelps, recordista mundial com 1min54s98, ou a dois corpos e meio. A distância é maior nos 400 m medley, 4min11s14 de Thiago para 4min06s22 de Phelps (dono do recorde mundial) - 4s92 de diferença ou quatro corpos. A natação ainda sofre com baixas, como a de Rebecca Gusmão, suspensa preventivamente por doping. O esporte, que levou oito mulheres a Atenas, em 2004, a maior delegação feminina da história, corre o risco de ter representante isolada, Flávia Delaroli, nos 50 m livre. O atletismo, com 23 medalhas no Pan (9 ouros, 5 pratas e 9 bronzes), voltou do Mundial do Japão com uma prata isolada, de Jadel Gregório no salto triplo. E não será fácil produzir outro herói como Vanderlei Cordeiro de Lima, bronze em Atenas, na maratona (medalha valorizada pelo empurrão que levou do irlandês Cornelius Horan durante a disputa). Fabiana Murer, estrela do salto com vara, é a recordista sul-americana, com 4,66 m. Mas terá pela frente rivais do nível de Yelena Isinbayeva, recordista mundial, que já saltou 5,01 m. O ranking de 2007 põe a brasileira em 8º, atrás de Isinbayeva e também de Svetlana Feofanova (RUS), Jennifer Stuczynski (EUA), Kym Howe (AUS), Anna Rogowska (POL), Yuliya Golubchikova (RUS) e Carolin Huingst (ALE), todas com saltos de 4,70 m ou mais. O salto de Fabiana terá de ser mais alto, porque a medalha está mais longe do que no Pan, quando levou o ouro sem precisar suar muito. A estimativa do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) é de que o País tenha 270 atletas em Pequim, sua maior delegação - em Atenas foram 247, 125 homens e 122 mulheres. Ainda pelo índice Para os não confirmados na festa chinesa, a temporada é de tensão e incerteza. A seleção só fica completa em julho, fim do prazo para índices, posições em ranking e disputas de Pré-Olímpicos. Os sistemas de classificação são diferentes em cada esporte. Modalidades individuais, como atletismo e natação, dependem de índices (fixados pelas federações, em cada prova). No atletismo, os prazos para índices em provas longas, maratona ou marcha vão até maio. E para as de campo e pista o limite é o Troféu Brasil, em julho. Na natação serão seletivos o Sul-Americano, em março, e o Troféu Maria Lenk, em maio. Em esportes como vôlei de praia, tênis e esgrima o que define é a posição no ranking mundial. A vaga ainda pode vir de Pré-Olímpicos, caso do basquete, boxe e remo. A relação dos esportes que podem ter representantes nos próximos meses: badminton (maio), basquete (junho, feminino, e julho, masculino), boxe (março e abril), canoagem (abril e maio), esgrima (março), levantamento do peso (maio), luta livre (maio), luta greco-romana (junho), nado sincronizado (abril), tênis (junho), tênis de mesa (abril). Também não foram oficializados pelo COB atletas que só não vão para Pequim em caso de desastre, como as duplas do vôlei de praia Ricardo e Emanuel e Juliana e Larissa, além do judoca Tiago Camilo. Nos esportes coletivos, as seleções masculina e feminina de basquete desperdiçaram chances de obter vagas nos torneios das Américas e enfrentarão duras repescagens. O Pré-Olímpico Mundial Masculino será de 14 a 20 de julho, na Grécia - 3 vagas em disputa por 12 seleções. E o Brasil nem sabe sua força (não terá o pivô Nenê, operado para extrair um tumor no testículo direito) e ainda não pode apostar no sucesso do técnico espanhol Moncho Monsalve, que treinará o grupo por apenas 15 dias. A situação das mulheres é menos dramática - serão 5 vagas para 12 seleções no Pré-Olímpico de Madri, de 9 a 15 de junho. O futebol masculino, que não foi a Atenas, estará em Pequim. Dunga terá tempo curto para preparar o time com atletas nascidos após 1º/1/1985. E poderá escolher três com idade livre - Kaká, por exemplo, já se candidatou a um lugar. A incerteza é o futebol feminino, que decidirá vaga em repescagem contra Gana, em abril. As seleções de handebol (masculina e feminina) estão classificadas, assim como as de vôlei, que lutam por medalha.

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