Ricardo Bufolin
Ricardo Bufolin

Atletas chineses exigem privacidade em São Paulo

Comitê Olímpico pede isolamento no hotel e centro de treinamento

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2016 | 05h00

Os primeiros atletas chineses que chegaram para os Jogos do Rio começaram ontem sua preparação no Esporte Clube Pinheiros. Mas ninguém pôde ver. O Comitê Olímpico Chinês pediu privacidade e impediu que público e imprensa acompanhassem as movimentações das equipes de tênis de mesa, natação e futebol. A discrição deve ser a tônica da aclimatação chinesa em São Paulo.

Os funcionários do Pinheiros receberam ordens expressas para evitar o contato dos atletas com o público. Não estão programadas as chamadas “janelas de imprensa”, período de treinos abertos. Eles se preparam em horários específicos, diferentes do período de utilização dos outros 38 mil associados. Ao todo, o clube vai receber atletas de 14 modalidades durante três semanas.

No hotel onde os atletas estão, nas proximidades do clube, a preocupação com o isolamento é a mesma. O comitê alugou 150 quartos duplos, cerca de 75% do estabelecimento, no período entre 22 de julho e 3 de agosto. O acesso ao lobby é restrito e a segurança, redobrada. O hotel não divulga os números envolvidos na operação.

O professor Carlos Bezerra de Albuquerque, diretor do Centro de Práticas Esportivas da USP (Cepeusp), ficou impressionado com a preocupação dos chineses com a discrição. Ontem, ele recebeu a visita de integrantes da comissão técnica de canoagem, que vai utilizar a raia olímpica da USP para treinamentos. O primeiro treino da equipe, marcado para amanhã, já está vetado para a imprensa. “Eles foram enfáticos na questão da privacidade. Não querem entrevistas nem filmagens. Fiquei impressionado”, diz o professor.

Funcionários do Clube Pinheiros e do Cepeusp sugerem a preocupação com algum tipo de espionagem esportiva. Ou seja, os chineses temem que os métodos de treinamentos sejam observados pelos adversários. Bezerra aposta na concentração e foco dos atletas na reta final de preparação olímpica. “Eles se preocupam com a parte técnica, mas não acho que considerem o treino um segredo de Estado. Eles querem também manter o foco”, opina.

Ainda na quarta-feira desembarcaram em São Paulo os atletas do Japão (natação) e de Israel (judô, natação e atletismo). Os dois países vão se preparar na Hebraica. No sábado, a Unisanta, em Santos, recebe parte da delegação italiana (natação, triatlo e maratona aquática).

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