Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Atletas da natação vibram com chance de medalha sob olhares dos fãs

'Tive experiência em casa no Pan de 2007 e agora vai ser melhor', diz Kaio Márcio

Nathalia Garcia e Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2016 | 17h00

Disputar uma Olimpíada em casa foi motivação suficiente para o nadador Kaio Márcio repensar sua aposentadoria. Foram dois anos longe das piscinas após Londres-2012, o paraibano voltou com o ânimo renovado e alcançou o índice olímpico dos 200 metros borboleta, no Troféu Maria Lenk, última seletiva olímpica da modalidade, em abril. No Rio, o atleta terá a chance de disputar os Jogos pela quarta vez na carreira. 

O reencontro com a torcida é um estímulo para o veterano. Aos 31 anos, ele recorda com carinho dos Jogos Pan-Americanos do Rio. Em 2007, Kaio conquistou a medalha de ouro e bateu o recorde sul-americano da prova. Foi o início da ascensão ao auge da sua carreira, atingido em Pequim-2008, quando foi o 7º lugar. 

"Tive um pouco da experiência de como era nadar uma grande competição em casa no Pan de 2007. Acho que vai ser ainda melhor nos Jogos Olímpicos. Ajudou muito a gente nos resultados e acredito que agora não vai ser diferente”, projeta.

A experiência adquirida na carreira lhe trouxe tranquilidade. O nadador conta que quase não dormiu na véspera de sua estreia na Olimpíada de Atenas, em 2004, e reconhece que aproveitou pouco a oportunidade de tão nervoso que estava. Até porque na piscina havia ninguém menos do que Michael Phelps, dono do recorde dos 200 metros borboleta até hoje e maior medalhista da história dos Jogos Olímpicos.

Competir com os principais nomes da natação mundial sempre foi um estímulo para Kaio. “O sonho era ganhar do Michael Phelps. É um cara que foi muito importante para mim, que eu sempre quis bater na carreira. Passei minha vida inteira tentando e consegui só uma vez”, enumera. Para alívio do brasileiro, a presença de Phelps encorpa o grupo dos “velhões” nos Jogos do Rio.

VIBRAÇÃO CASEIRA

O ânimo de competir em casa também resgata memórias antigas de Nicolas Oliveira. O nadador gosta de relembrar do Pan do Rio antes de se motivar para a maratona particular no Rio. Ele garantiu índice nos 100 m e 200m livre e ainda integrará as equipes de revezamento dos 4 x 100m livre e 4 x 200m livre. 

A vibração dos fãs no Estádio Aquático será fundamental para ter um “gás extra” quando cair na piscina. “Guardo daquela competição muita coisa boa, como o carinho, a energia das pessoas e a euforia de estar em casa. Isso com certeza será um ponto positivo na Olimpíada.”

A pressão passa longe da cabeça dos nadadores. João Luiz Gomes Júnior, dos 100m peito e revezamento 4 x 100m medley, ousa dizer até que não há pontos negativos em competir no Brasil. “Só tem benefício. Será muito mais fácil com a torcida. Poucos podem disputar uma Olimpíada no seu País. Isso dá mais vontade na hora de cair na água e pensar que vou representar 200 milhões de pessoas”, exalta. 

Os atletas brasileiros estão concentrados em São Paulo para o período de aclimatação da delegação de natação. A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) trabalha para adaptar os nadadores aos horários das finais, previstas para as 22 horas. 

Apesar de a competição ser no Rio, a programação dos Jogos não é totalmente favorável. Prata nos 400m medley em Londres, Thiago Pereira acredita que o horário pode prejudicar quem optou por nadar muitas provas. Por isso, para se poupar, o principal nome da natação brasileira disputará somente os 200m medley. 

Kaio Marcio, por outro lado, minimiza o problema e recorda a dificuldade enfrentada nos Jogos de 2008. Para ele, será como uma viagem com fuso horário de poucas horas. “É mais a questão de ter de ficar um pouco mais ativo à noite e tentar dormir rapidamente. Acho que é um esforço que não vamos sentir tanto. Em Pequim foi muito pior”, comenta. 

Representante dos 1.500m livre, o estreante Miguel Valente também acredita que não haverá prejuízo para os brasileiros. “É um horário que a gente não está acostumado, mas tendo toda a infraestrutura vai ser muito tranquilo.”

Seja qual for o horário, João Gomes mostra otimismo. “Os Jogos do Rio vão ser o ápice para mim. Pelo menos nos próximos 50 anos não vamos ter outra Olimpíada no Brasil. É a chance que esperei a vida inteira para conquistar meus objetivos. Tudo está a favor.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.