Atletas estrangeiros fazem treinos inusitados às vésperas do Rio-2016

Nos últimos dias antes da Olimpíada, competidores dedicam-se a treinamentos pouco ortodoxos. Integrantes da equipe de vela da Espanha, por exemplo, tiveram aulas de zumba, que mistura ginástica aeróbica com ritmos latinos, além de ioga e pilates. A ideia era relaxar. Já a delegação de remo da Grécia improvisou o treino em um salão de cerimonial do Hotel Mirador, em Copacabana, zona sul, onde estavam hospedados antes de seguirem para a Vila Olímpica. Foram alugados aparelhos ergométricos que simulam os movimentos do esporte. Por falta de vagas para treinar em clubes do Rio, os seis atletas (quatro homens e duas mulheres) não tiveram outra saída: remaram no seco.

Clarissa Thomé e Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2016 | 19h12

A equipe espanhola da vela alugou uma casa de dez quartos no bairro do Cosme Velho, zona sul, onde passa temporadas, desde 2014. Os 14 velejadores, que treinam na Baía de Guanabara, chegaram a montar uma academia com aparelhos na casa, mas o preparador físico Diego Quintana, de 37 anos, achou que não era suficiente para manter o condicionamento físico. Acabou matriculando os velejadores na academia Body Tech, do Shopping Rio Sul, zona sul.

Animados e comunicativos, distribuíram camisetas entre os funcionários da academia, mas não fizeram muitos amigos entre os outros frequentadores. "Pouca gente se aproximou. Acho que por timidez", afirmou Quintana.

No início, fizeram treinos específicos para cada classe. "Os atletas de 470 e windsurfe têm de ser mais leves, os da 49er precisam de força e agilidade, já os da Nacra 17 precisam ser mais fortes. Então fizemos muito treinamento funcional, exercícios de equilíbrio com bola, musculação, bicicleta", explicou o preparador.

Nesta reta final, o foco dos exercícios mudou um pouco. Os atletas começaram a fazer ioga, pilates e até zumba. Técnicos, preparadores e o medalhista olímpico Fernando Echavárri, de 44 anos, entraram na dança. "Zumba é para a coordenação motora. E para fazer sorrir, descontrair , além de trabalhar o nível cardíaco", disse Quintana.

"Essa fase final é de lapidação, de ajuste técnico. O que tinha para ser feito em termos de preparo físico, foi feito. Essas modalidades são para o relaxamento, para aliviar a pressão do resultado da competição e ter algum ganho indireto", completou o diretor técnico da rede de academias, Dudu Netto. Além das aulas, os atletas percorreram trilhas no Pão de Açúcar e no Cristo Redentor.

Já a equipe da Grécia não teve muita escolha. Segundo o técnico, o italiano Giovanni Postiglione, de 65 anos, a delegação não conseguiu alugar dependências em clubes, já ocupados por esportistas de outros países. O grupo também não pôde treinar na Lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul, cujas raias estão fechadas para os últimos ajustes antes das provas olímpicas. O jeito foi treinar num salão de hotel por quatro dias, enquanto não seguiram para a Vila Olímpica. Fizeram três treinos diários, com duração de duas horas cada. Segundo Postiglione, o improviso não atrapalhou a preparação no grupo.

"Já usamos este recurso em outras competições. É cômodo porque fica próximo de onde estamos e não perdemos tempo no deslocamento. Os aparelhos são bem completos e trabalham todos os músculos empregados no remo. A desvantagem é que não sentimos a força do vento, que influi durante o remo, e a força da água", disse.

O atleta Ioannis Christou, de 23 anos, disse que a temperatura do Brasil favorece o treino e que a qualidade da água da lagoa não o preocupa. "Nunca remei em uma lagoa com a qualidade da água ruim. Mas, como estamos em cima da água e não precisamos mergulhar, não temos contato com as bactérias", afirmou.

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