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Atletas militares mais que dobram desde os Jogos de Londres

Número passa de 51 para 106 quatro anos depois

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2016 | 07h00

Dos 215 atletas brasileiros que até o momento estarão nos Jogos do Rio, 106 são militares. O número é mais que o dobro dos classificados à última Olimpíada, quando 51 atletas do Programa de Atletas de Alto Rendimento, parceria entre os ministérios da Defesa e do Esporte, estiveram em Londres/2012. Além da melhoria do rendimento, a parceria também busca aproximar ainda mais as Forças Armadas da sociedade, promovendo uma visibilidade positiva para Exército, Marinha e Aeronáutica.

Nesse contexto, a expectativa é conquistar 10 medalhas no Rio, dobrando o número de Londres, quando foram conquistadas cinco medalhas. Yane Marques, medalha de bronze no pentatlo moderno, acha difícil repetir a conquista. “É muito difícil, porque se trata de um esporte bem diferente dos outros. É muito imprevisível”, conta. 

Os atletas não vivem propriamente uma rotina militar. Eles não treinam nos quartéis, por exemplo, com exceção dos atletas da carreira. A profissão deles continua sendo atleta, assim como a Marinha, o Exército e a Aeronáutica têm médicos, advogados e dentistas.

A seleção para integrar o programa é feita por meio de um concurso público. Em seguida, é feita uma triagem pelo currículo esportivo, resultados e ranking nacional. Os escolhidos frequentam um estágio de 45 dias. Em paralelo, podem continuar treinando e competindo por seus clubes e são chamados, periodicamente, para uma reciclagem. O período máximo de serviço para militares temporários é de oito anos, renováveis a cada 12 meses.

Os esportistas têm à disposição todos os benefícios da carreira militar, como salários, plano de saúde, férias e assistência médica, incluindo nutricionista e fisioterapeuta. Eles também podem usar as instalações esportivas militares. O Ministério do Esporte também oferece aos atletas a Bolsa Pódio.

Felipe Wu, medalha de ouro na pistola de ar 10 metros nos Jogos Pan-Americanos e um dos principais nomes do tiro esportivo para os Jogos do Rio, recebe salário do Exército desde 2013. O programa também trouxe outras vantagens e permitiu que ele competisse na categoria de longa distância mais cedo. Se não fosse militar, teria de esperar até os 25 anos.

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