Atletas tentam driblar ar seco em SP na preparação para Pequim

Jogadoras da seleção de basquete abusam da água e até mesmo de remédios para evitar os efeitos da poluição

Aline Nunes, O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2008 | 19h20

Faltando 20 dias para a Olimpíada de Pequim, alguns atletas que ainda treinam em São Paulo tiveram de dar um jeitinho para driblar o tempo seco das últimas semanas na cidade e, assim, manter o bom ritmo de exercícios. As meninas da seleção feminina de basquete comparecem diariamente ao Centro Olímpico, no Ibirapuera, e, para não ficarem com garganta seca e nariz congestionado, abusam da água e até mesmo de remédios com uso liberado porque não caracterizam doping. Há quase um mês sem chuvas, São Paulo viveu nos últimas dias com umidade bem parecida à média registrada no deserto do Saara, que é de 15%. E é no tempo seco que os médicos aconselham evitar a prática de exercícios físicos entre 10 e 16 horas. Mas, no caso da seleção feminina de basquete, prestes a embarcar para Pequim, não resta alternativa a não ser redobrar a atenção com a saúde para não prejudicar os treinos. A pivô Ega, por exemplo, é alérgica desde pequena, e confessa que em todo inverno o seu corpo fica mais suscetível a doenças respiratórias. Para não perder o bom ritmo, ela recorre a todo tipo de dica que lhe oferecem como prevenção. "Uso toalha umedecida o tempo todo, chega a ser engraçado", admitiu a jogadora da seleção de basquete. "Comprei recentemente um purificador de ar e procuro tomar o dobro de água. Antialérgico, só em último caso. Tenho várias táticas e, mesmo assim, é impressionante que entre um arremesso e outro sinto o meu pulmão pegar", lamentou Ega. "Pode acontecer tudo, menos ficar doente em uma época como agora, né?" Já a armadora Natália Burian não pensa duas vezes e recorre aos antialérgicos. "Todos os dias tenho de fazer inalação e tomar três antialérgicos", disse a jogadora. "Para alguns, a medicação abaixa a resistência, mas, no meu caso, se eu ficar um dia sem remédio, o treino não sai de jeito nenhum." Ainda no grupo das alérgicas, a ala Patrícia de Oliveira Ferreira, conhecida como Chuca, não tira nunca o descongestionante nasal da bolsa. "Está muito seco, toda hora eu uso descongestionantes para não afetar minha respiração", reclamou. "A gente faz de um tudo para continuar com o treino pesado e fazer o melhor em Pequim." Na opinião de Paulo Saldiva, médico do Laboratório de Poluição da USP, atletas devem ingerir o dobro de água para manter o corpo hidratado e o condicionamento em dia. "Usar descongestionantes nasais, beber muita água e fazer inalações naturais no banho quente são ótimas saídas para o tempo seco", recomendou o especialista.  SAÚDEPara manter o condicionamento físico em ordem, o grupo das dez atletas da seleção feminina de basquete, antes da viagem para Pequim, seguirá para um período de aclimatação na Austrália. Nesse estágio, elas têm programados dois amistosos contra as australianas.  As condições climáticas que as garotas têm enfrentado no Brasil se assemelham àquelas que elas devem encontrar em Pequim. Independentemente das medidas antipoluição que as autoridades chinesas pretendem tornar mais intensas a partir de domingo. Não é grande consolo, porque o ideal seria concluir a preparação em clima saudável, o que não tem acontecido em São Paulo, mas sobretudo disputar os Jogos Olímpicos sem poluição, o que parece impossível.  O basquete feminino do Brasil está no Grupo A da Olimpíada, sendo que estréia contra a Coréia do Sul, no dia 9 de agosto. Na seqüência, as brasileiras enfrentam a Austrália (11), Letônia (13), Rússia (15) e fecham a primeira fase diante da Bielo-Rússia (17).

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