Daniel Teixeira|Estadão
Daniel Teixeira|Estadão

Atletismo paralímpico espera bons resultados em evento-teste

Beth Rodrigues mostra confiança para disputa no Engenhão

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

18 de maio de 2016 | 07h01

Aprovado pelos atletas no Campeonato Ibero-Americano de Atletismo, o Engenhão passará por um novo teste a partir desta quarta-feira, às 16 horas. O Open de Atletismo Paralímpico receberá 316 atletas de 23 países e também será a primeira chance de os brasileiros obterem marcas classificatórias para os Jogos Rio-2016 após a divulgação dos critérios do CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro). Especialista no arremesso de peso e nos lançamentos de dardo e de disco, Elizabeth Rodrigues está confiante.

"Minha expectativa no Open é, sem dúvida, obter um bom resultado. Nos treinos já tenho ido muito bem, então, a expectativa é maior no local onde será a Paralimpíada", afirmou a atleta, após o último treino antes do início da competição.

Aos 51 anos, Beth vê seu rendimento aumentar a cada dia. Em 2015, a atleta da classe F54 ficou com o bronze no arremesso de peso no Mundial Paralímpico de Atletismo, em Doha, e conquistou o ouro no lançamento de disco e a prata no arremesso de peso nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto. 

No Rio, terá a chance de brigar por uma medalha especial para a sua coleção. "Estar dentro de uma Olimpíada ou Paralimpíada é o sonho de qualquer atleta. É um sonho que poderei mais uma vez realizar", exalta.

A primeira experiência de Beth foi nos Jogos de Pequim, em 2008, quando vestia a camisa da seleção brasileira no basquete em cadeira de rodas. A decisão de mudar de esporte teve um empurrão do próprio treinador, que a convidou para experimentar as provas de campo. "Aceitei o desafio e me apaixonei", relembra. Seu jogo de despedida das quadras foi em Birmingham, na Inglaterra, em 2010.

Já são mais de 20 anos de envolvimento com o esporte paralímpico. Foi o que fez Beth ter vontade de viver. Em 1993, ela foi diagnosticada com esclerose múltipla e ficou paraplégica. A doença a obrigou a encerrar a carreira como policial e também colocou fim ao sonho de continuar atuando como jogadora de vôlei, logo após ser tricampeã pela cidade de Santos. 

Foram dois anos de negação até encontrar um novo caminho. "Quando descobri a doença, eu não aceitava. Fiquei em depressão, querendo a morte. Conheci o esporte paralímpico e minha vida renasceu. Hoje posso dizer que sou uma nova Beth, hoje quero viver muito e muito mais. Se eu puder, vou até os 90 anos no esporte", brinca.

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