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Atletismo russo está definitivamente excluído dos Jogos do Rio

Decisão aumenta chance de suspensão total da delegação russa no Brasil

Jamil Chade - Correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

21 Julho 2016 | 06h56

A Rússia está definitivamente fora das modalidades de atletismo dos Jogos Olímpicos no Rio. Nesta quinta-feira, o Tribunal Arbitral dos Esportes negou o recurso apresentado por 68 atletas russos que se diziam "injustiçados" pela suspensão à toda a delegação imposto pela Federação Internacional de Atletismo. Com a decisão, atletas como Yelena Isinbayeva ficam impedidas de ir ao Brasil. 

A decisão também reforça a possibilidade de que o COI se incline a banir toda a delegação russa em todos os esportes. Uma decisão é aguardada a partir de domingo. Mas o governo de Moscou já admite que a sentença desta quinta-feira abre um precedente para o fim dos sonhos russos no Brasil.

"Lamento essa decisão", declarou o ministro dos Esportes da Rússia, Vitaly Mutko, acusado de liderar o esquema de doping. "Infelizmente, um certo precedente foi estabelecido para uma responsabilidade coletiva", disse. Segundo ele, Moscou vai agora avaliar a situação. Mas, num tom de ameaça, alertou que a situação "não poderia continuar como está".

Vladimir Putin, presidente russo, já havia alertado que uma suspensão ameaçaria criar um "racha" no movimento olímpico. Já Isinbayeva classificou a decisão como "um funeral para o atletismo". Há um mês, a Agência Mundial Antidoping havia publicado um informe em que revelava como treinadores e dirigentes russos organizaram um programa de doping para todas as modalidades do atletismo, com o conhecimento e coordenação do Ministério dos Esportes. 

Como punição, a Federação anunciou o afastamento dos russos de todas as competições internacionais, inclusive da Rio 2016. Apenas uma brecha foi deixada para que atletas pudessem solicitar que seus casos fossem individualmente avaliados. Para que um esportista fosse aceito, ele teria de provar que se preparou em outro país e que não esteve sujeito aos controles de doping da Rússia.

Dos mais de 150 pedidos de revisão, a Federação aceitou apenas dois casos. Uum deles, porém, era de Elena Stepanova, a mulher que revelou o escândalo de doping e que fugiu para a Alemanha. Ainda assim, ela irá competir sob "bandeira neutra". Inconformados, os atletas escolhidos para os Jogos entraram com um recurso no Tribunal, liderados por Isinbayeva. Nesta quinta-feira, porém, a corte manteve a suspensão. A decisão foi tomada de forma unânime pelos juízes Luigi Fumagalli, Jeffrey G. Benz e James Robert Reid.

"O Tribunal confirmou que atletas russos estão impedidos de ser nomeados para o evento", indicou a corte. A decisão foi aplaudida pela IAAF. "A Corte apoiou nossa posição contra o doping", disse a entidade.  Mas seu presidente, Sebastian Coe, admitiu o gosto amargo em expulsar uma das principais potências olímpicas da competição.

"Esse não é um dia para declarações triunfantes. Não vim a esse esporte para impedir atletas em competições", disse. "Para além do Rio, vamos trabalhar para criar um ambiente seguro para os atletas para que possam voltar às competições internacionais", declarou Coe. 

PRECEDENTE

Se a decisão já seria um golpe duro contra os russos, analistas no Tribunal e no COI apontam que a declaração da corte pode abrir caminho para uma suspensão ainda maior. A Wada pediu que o COI impeça que todos os atletas russos estejam no Rio, depois que um informe nesta semana revelou que mais de 20 modalidades esportivas foram afetadas por um doping orquestrado pelo governo de Moscou.

Pressionado, o COI anunciou que iria avaliar a questão. Mas que primeiro iria aguardar para ver qual seria a decisão do Tribunal relativo ao atletismo. O temor da entidade era de que uma suspensão generalizada fosse considerada como ilegal, tendo de reverter depois a decisão. 

Com o sinal verde da corte para um banimento total, a pressão cresce para que o COI siga a mesma posição em todos os demais esportes. Na quarta-feira pela noite, o presidente do COI, Thomas Bach, recebeu uma carta assinada por 14 potências olímpicas pedindo que a Rússia fosse excluída do Rio. Uma decisão final sairá a partir de domingo.

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