Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Atrações turísticas do Rio viram obstáculos no hipismo de saltos

Ornamentos com ícones nacionais do país organizador é tradição

Demétrio Vecchioli, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2016 | 05h44

Durante mais de um século e novamente desde o fim do ano passado, o carioca se acostumou a saltar do bonde de Santa Teresa. No Rio-2016, em Deodoro, foi possível ir além: saltar o bonde. Ou melhor: uma representação dele, um dos obstáculos da pista montada pelo course-designer Guilherme Nogueira Jorge, primeiro brasileiro a desenhar um percurso olímpico nas provas de saltos do hipismo.

Durante quatro dias, seis percursos foram montados. Dos mais difíceis, de ontem, na final individual, saiu como campeão olímpico o britânico Nick Skelton. Peder Fredicson ganhou a prata para a Suécia e Eric Lamze deu o bronze ao Canadá. O brasileiro Álvaro de Miranda Neto, o Doda, terminou em nono.

Ornar os obstáculos com ícones nacionais do país organizador é tradição no hipismo. O Pão de Açúcar apareceu só no segundo dia de competições. O Cristo Redentor precisou ser deixado de lado, porque a Olimpíada é um evento sem religião.

As ondas do calçadão de Copacabana estavam no muro que causou uma falta para Doda, tirando as esperanças de medalha por equipe, anteontem.

No lugar do Cristo, estavam as tradicionais barraquinhas das festas de São João, uma de cada lado das varas, mas sem referências ao santo. “Trabalhei com o departamento de Look of the Games do Rio-2016. Eles tinha uma linha de pensamento do que queiram. A ideia era contar um pouco da cultura do Rio e das cidades-sede da Olimpíada pelo futebol. A festa junina é super brasileira, enquanto o bondinho é um cartão postal”, contou Nogueira Jorge.

Ao menos 30 tipos de ornamentos foram encomendados à empresa que produz obstáculos para provas do mundo todo. Na volta final, as referências ao Rio diminuíram. Havia bromélias, balões de São João e até uma floresta tropical.

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