'Atraso é preocupante', diz vice-presidente do TCU

Aroldo Cedraz de Oliveira confirma atrasos preocupantes nas obras e diz que é preciso marcação cerrada sobre os responsáveis

Pablo Pereira, O Estado de S. Paulo

13 de dezembro de 2014 | 17h00

Para o ministro Aroldo Cedraz de Oliveira, vice-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), que acompanha de perto a construção do Parque Olímpico dos Jogos do Rio 2016, há atrasos preocupantes nas obras e é preciso marcação cerrada sobre os responsáveis. Abaixo, trechos da entrevista, concedida por e-mail.

Como o senhor analisa o estágio das obras? Casos como o do velódromo, que ainda está no chão, podem prejudicar os eventos-teste?

Há atrasos preocupantes, como aqueles verificados pelo TCU nas obras das instalações esportivas no Parque da Barra. A esta altura, a praticamente um ano e meio dos jogos, o ideal é que estivéssemos com os preparativos mais avançados. Mas a expectativa é de que os atores envolvidos realizem esforços concentrados para garantir que os Jogos ocorram sem maiores percalços.

Relatórios mencionam risco para o legado. Como eliminar este risco?

Houve demora por parte do Governo Federal para iniciar o planejamento em relação ao uso do legado olímpico, considerando que a escolha do Rio como cidade-sede dos Jogos ocorreu em 2009 e, apenas em agosto de 2013, os Grupos de Trabalho encarregados dessa matéria iniciaram formalmente suas atividades. Apesar dos avanços ocorridos desde então, a expectativa é de que, faltando menos de dois anos para o início das competições, a definição do uso dos equipamentos esportivos construídos com recursos federais no pós-Jogos já estivesse bem mais adiantada. Ainda há tempo para fazê-lo, mas essa definição não é algo simples, até pelo elevado custo envolvido na manutenção de equipamentos dessa natureza. Exige articulação e integração entre vários atores, de diferentes entes da Federação e de fora da administração pública, como as confederações nacionais de diversos esportes. Entretanto, o Tribunal, no cumprimento do seu papel pedagógico, tem expedido recomendações para que as instituições envolvidas, em especial o Ministério do Esporte, acelerem suas ações nesse sentido, de modo que, após os Jogos, essas instalações esportivas, que consumirão volume expressivo de recursos públicos, possam constituir efetivamente legado positivo para a sociedade.

Qual o principal legado dos Jogos?

Os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos são uma oportunidade ímpar para trazer ao País investimentos e acelerar a aplicação de recursos internos, no entanto, tem de ser bem aproveitada. Há exemplos emblemáticos de bom uso, como foram os Jogos de Barcelona, em 1992, mas há casos em que as chances não foram convertidas em benefícios esperados. Entendo que o principal legado, mais do que a construção de equipamentos esportivos, está na antecipação do Plano de Políticas Públicas na área de infraestrutura.

Um dos pontos críticos para os atletas é a poluição das águas de competição. Há acompanhamento da limpeza dessas áreas?

A competência do TCU é de fiscalizar a aplicação de recursos públicos federais. Porém, dada a grande importância do tema, constatei que a melhor forma de se promover uma ação de controle é por meio de um trabalho conjunto entre o TCU, o TCE-RJ e o TCM-RJ. Uma auditoria conjunta. Acredito que, pela relevância, essa fiscalização deverá ocorrer no próximo ano, apesar de ainda não ser possível a definição de um período exato.

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