Divulgação/Comitê Olímpico da Austrália
Divulgação/Comitê Olímpico da Austrália

Australiano da marcha atlética quer ouro de rival russo em Londres

Jared Tallent foi prata na prova: ele acusa a IAAF de negligência

O Estado de S. Paulo

10 Novembro 2015 | 09h57

O australiano Jared Tallent, prata na Olimpíada de Londres, em 2012, na prova da marcha atlética, reivindica a medalha de ouro um dia depois da divulgação do relatória da Agência Internacional Antidoping (Wada), que acusa o governo da Rússia de cumplicidade em doping de seus competidores no atletismo. Tallent perdeu o lugar mais alto do pódio nos Jogos para o russo Sergey Kirdyapkin, suspenso pela Federação Russa de Atletismo em janeiro. A IAAF, Federação Internacional de Atletismo, também foi duramente criticada pelo autraliano.

"As alegações da Wada são absolutamente chocantes por descobrir que o homem que me venceu em Londres, Sergei Kirdyapkin, provavelmente deveria ter sido banido já em 2011. Mas a IAAF não se prontificou a bani-lo até depois dos Jogos Olímpicos em Londres. Então, deixá-lo competir mesmo sabendo que era um atleta dopado e ele ir lá e levar a melhor sobre mim pela medalha de ouro é bem devastador. Te irrita só de saber que a federação internacional, que deveria estar protegendo os atletas limpos, estava cuidando dos dopados", desabafou Tallent.

Como medida, o COI suspendeu por tempo indeterminado o título de membro honorário de Lamine Diack, ex-dirigente da IAAF. O cartola foi acusado de ter recebido dinheiro para enconder casos de doping da Rússia. Ele próprio disse que os russos não seriam punidos ou suspensos depois da reportagem da TV alemão ARD, contando os casos de doping. Foi esse documentário que motivou a Wada a investigar o caso.

De acordo com o relatório da Wada, agentes do serviço de inteligência da Rússia estavam infiltrados no serviço antidoping dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, em 2014. O documento diz que "a imparcialidade, o julgamento e a integridade foram comprometidos pela vigilância dos russos dentro do laboratório". As denúncias são devastadoras, de acordo com a Agência Antidoping, com o envolvimento da federação russa, médicos, chefes de delegação e treinadores. 1.417 amostras de controle de doping teriam sido destruídas, de acordo com o relatório.

 

Após apresentar o relatório, de mais de 300 páginas, a Wada pediu a suspensão da delegação russa de todas as competições de atletismo, inclusive dos Jogos Olímpicos do Rio. Em Londres, a Rússia ficou em quarto lugar no quadro geral de medalhas, com 82 conquistas em todas as modalidades. Foram 24 medalhas de ouro, 26 de prata e 32 de bronze.


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