Michael Dwyer/AP
Michael Dwyer/AP

Autoridades dos EUA rejeitam dar dinheiro público para Olimpíada

Boston é a cidade que concorrerá aos Jogos Olímpicos de 2024

Jamil Chade - Correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

11 Março 2015 | 14h41

As autoridades dos EUA anunciam que não haverá um centavo de dinheiro público na candidatura dos Jogos Olímpicos no país em 2024.  O alerta foi dado pelo presidente do Senado de Massachusetts, Stanley Rosenberg. "Não vamos deixar que usem dinheiro público", disse.

A cidade que concorrerá é Boston, num esforço de apagar a decepção de Chicago que esperava ficar com os Jogos de 2016. Desde 1996 os americanos não recebem o evento e, sendo o maior contribuinte do Comitê Olímpico Internacional, a pressão é alta para que os Jogos voltem para os EUA.

"Isso é um empreendimento privado", declarou o senador. "Existe um grupo privado de pessoas que querem levar para Boston o evento de 2024 e eles tem o direito de fazê-lo. Eles podem contratar quem eles quiserem e fazer o que quiserem. Mas o que eles não podem fazer - e não permitiremos que isso ocorra - é que envolvam o Estado de Massachusetts para que pague qualquer tipo de subsídio ou que cubram qualquer déficit ", alertou.

O presidente da candidatura de Boston, Dan O'Connell, confirmou que a organizações do evento vai custar US$ 4,7 bilhões e que esse dinheiro teria de vir exclusivamente de fundos privados, como patrocinadores, ingressos e venda de direitos de televisão. Obras de infra-estrutura, porém, ficariam com o Estado, além da segurança.

Nem todos concordam com isso. "A grande questão é que não vamos colocar dinheiro do Estado nas operações dos Jogos e isso é algo que precisamos nos comprometer a fazer", insistiu o senador. "Ninguém vai se comprometer a fazer nada que não estejamos preparados para assumir", alertou.

Nos últimos anos, o COI se deparou com um desafio maior para conseguir que cidades de países ricos se apresentassem para receber os Jogos, tanto de verão como inverno: a resistência dos contribuintes em pagar pelo evento.

Oslo, Estocolmo, St. Moritz, Munique e diversas outras chegaram a realizar referendos ou votos nos Parlamentos para decidir se iriam adiante com projetos para receber o evento. Em praticamente todos os casos, o "não" venceu.

O caso mais dramático tem sido o dos Jogos de Inverno de 2022.  Depois da desistência de diversas cidades, ficaram no páreo apenas Almaty, no Cazaquistão, e Pequim, na China. 

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