EFE/Sebastião Moreira
EFE/Sebastião Moreira

Baixa adesão de chefes de Estado preocupa Comitê do Rio-2016

Número de confirmados é metade de Londres e Pequim

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2016 | 07h00

Faltando um mês para a abertura da Olimpíada, o esforço do Brasil por atrair ao Rio líderes mundiais sofre forte resistência. Por enquanto, o Itamaraty indica que entre 50 e 60 chefes de Estado e de governo confirmaram suas participações. O número é quase a metade do que se viu em Londres-2012 e inferior a Pequim-2008.

Os organizadores ainda esperam que o número suba, mas abandonaram uma previsão. Diante de difíceis logísticas relacionadas com protocolo e segurança, a esperança era de que, faltando apenas um mês, o número fosse mais elevado.

Diplomatas estrangeiros indicaram que a falta de uma definição sobre o impeachment foi algo que criou certa hesitação entre alguns líderes. A votação no Senado ficou adiada para depois dos Jogos, evitando manifestações sociais ou algum tipo de boicote. Mas, segundo chancelarias estrangeiras, o cenário também cria saia-justa para quem for ao Rio.

Dirigentes políticos estariam hesitantes em visitar a cidade e eventualmente serem usados por um lado ou outro do debate político nacional. Mesmo no caso europeu, onde o questionamento a Michel Temer não tem a mesma força que em outras regiões, governos ainda avaliam a possibilidade de apenas enviar uma delegação com nível ministerial.

MOTIVOS

No Itamaraty, há outra explicação para a baixa confirmação: a distância. Fazer um trajeto até o Brasil significa, para muitos líderes, abrir mão de pelo menos três dias de seu calendário apertado. Em 2008, Pequim não teve esse problema e registrou uma romaria de líderes.

O Itamaraty também espera que haja uma maior confirmação de líderes da região sul-americana. Quando o Rio de Janeiro foi escolhido para ser sede dos Jogos, uma das cartas usadas pelos brasileiros era de que o evento seria não apenas da cidade carioca ou do país, mas de toda uma região, já que é a primeira Olimpíada a ser disputada na América do Sul.

Com o processo de impeachment de Dilma, porém, governos como o da Venezuela, Equador e Bolívia não hesitaram em fazer uma campanha internacional contra o que chamam de “golpe” no Brasil. Na semana passada, o Ministério das Relações Exteriores do Equador confirmou ao Estado que nem sequer mantém um embaixador em Brasília como forma de protesto.

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