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Antonio Pita, Demétrio Vecchioli, Mariana Durão e Sérgio Torres, O Estado de S. Paulo

13 Agosto 2016 | 05h17

O público ainda se acomoda nos assentos do Maracanãzinho quando todas as luzes se apagam, indicando o começo do espetáculo no Rio-2016. Projeções na quadra e um show de luzes anunciam a entrada triunfal dos protagonistas: os atletas olímpicos do vôlei. Nas areias de Copacabana, o ritual da Arena de Vôlei de Praia inclui bateria de escola de samba e movimentos ensaiados com a torcida. O espetáculo é parte da estratégia da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) de transformar o esporte em negócio, atraindo mais público e patrocinadores.

A FIVB foi uma das poucas federações que fizeram investimentos do próprio bolso nos Jogos do Rio. O objetivo era adequar as exibições aos padrões do Comitê Rio-2016, nem sempre compatíveis com o orçamento da Olimpíada. Ao todo, a federação gastou US$ 1 milhão na quadra e na arena de praia.

“Se o esporte é um negócio, qual é o seu produto? Entendo que é o evento, onde acontecem fatos esportivos que entram para a história, como o gol de mão do Maradona (referência ao gol marcado na Copa de 1986). A maneira como você empacota esse evento é que vai definir se é mais ou menos atraente para o público”, disse o secretário-geral da FIVB, Fernando Lima.

Segundo o dirigente, o investimento incluiu pontos como a iluminação e parte dos custos de tecnologia. Além do entretenimento, em atividades paralelas à Rio-2016, como a criação de centros de treinamento e a Casa do Vôlei, em Copacabana, a entidade aportou R$ 1 milhão.

Nas duas arenas, o esporte é só mais uma das atrações para o público: há animadores de torcida, DJs, danças temáticas, interatividade no telão. O vôlei de praia, de certa forma, sempre seguiu esse conceito, mas para o vôlei de quadra, mais “careta”, é uma proposta que ganha força no Rio.

Até o tira-teima se transformou em parte do espetáculo. A cada desafio pedido pelos técnicos ou jogadores do vôlei de praia para rever no telão lances polêmicos, uma música de suspense toma o ginásio.

O público balança as mãos à espera do resultado. Mantida a decisão do juiz, o DJ solta a música de Mick Jagger e Keith Richards: You Can´t Always Get What You Want (“você não pode ter sempre o que quer”), hit do Rolling Stones.

 Por trás desse circo está um investimento em alta tecnologia, com o chamado Challenge System (vídeo desafio), que permite a verificação de lances duvidosos. Habitual em esportes como o tênis, é a primeira vez que o recurso é utilizado no vôlei em Olimpíada. “Isso dará a certeza de que quem ganhou o ouro ganhou pelos próprios méritos. O patrocinador quer associar a marca dele a vários elementos, entre eles a credibilidade”, afirmou Lima.

A música é elemento central do entretenimento nas arenas, articulado por locutores – que também fazem às vezes de animadores de auditório. O repertório vai do rock dos Stones ao sertanejo de Wesley Safadão. Na arena de Copacabana, o público também é embalado por ritmistas e pelas passistas da Beija-Flor nos intervalos. Para cada jogada de impacto, como bloqueios, sacadas, aces e ralis, há uma música. “Queremos aumentar a visibilidade de momentos espetaculares do esporte, mostrar o ‘gol do vôlei’, que são os grandes ralis e jogadas individuais”, disse Lima.

A preocupação com a imagem se traduz em câmeras de alta tecnologia, capazes de revelar ângulos jamais vistos. Uma Spidercam fica presa acima da arena de praia por cabos de aço, se movimentando como uma aranha na teia. Nos intervalos dos sets, modelos entrevistam o público, convidado também a interagir com o telão, a fazer a “hola” e coreografias ensaiadas junto com dez dançarinos.

Na praia, a ex-jogadora Ana Paula é a anfitriã, entrevistando famosos como o ator Rodrigo Hilbert e o campeão olímpico Giba. Na quadra, o apresentador Luciano Huck foi vaiado no último domingo durante a entrevista.

Em outras arenas também há atrações nos intervalos, mas não com a sofisticação do vôlei. No Estádio Aquático (Parque Olímpico da Barra), entre as provas já houve apresentações de samba, com passistas de biquíni fio-dental e pandeirista balançando dentro de um brilhante terno vermelho. Ao lado, porta-bandeira e mestre-sala.

Na Arena da Juventude (Deodoro, zona oeste), onde acontecem as disputas do basquete feminino, o ímpeto de animar a torcida é tanto que o som do ginásio, de tão alto, chega a incomodar, em especial nos andares mais altos. Uma animadora, com uma câmera que transmite para o telão, incentiva o pessoal na arquibancada a pular, dançar e gesticular. Anteontem, até a bateria da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, bem perto do Complexo Esportivo de Deodoro, se apresentou na quadra.

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Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2016 | 05h06

Nem durante os Jogos Olímpicos o Sambódromo fica sem uma bateria de escola de samba. As finais do tiro com arco têm um ritual que remete à essência do principal palco dos desfiles carnavalescos. Na entrada do gramado, os atletas entram empunhando seus arcos e flechas acompanhados pela bateria e por passistas de uma escola.

No primeiro dia da apresentação, na semana passada, os representantes do Grêmio Recreativo Paraíso do Tuiuti fizeram as honras da casa do samba. Os atletas australianos entraram carrancudos; os italianos acompanharam com palmas. Os passistas ficaram um pouco confusos, pois não sabiam se seguiam as orientações do chefe da escola ou do diretor da prova de tiro com arco, que estava preocupado em não deixar que as passistas entrassem no local da disputa olímpica.

Joice Simões, chefe da delegação brasileira do tiro com arco, diz que os estrangeiros não reclamaram. Antes dos Jogos, os organizadores estavam preocupados com o barulho a ponto de exigir a instalação de uma barreira acústica para diminuir o ruído urbano. “Ninguém reclamou. Encararam com naturalidade”, disse a dirigente.

No final da decisão masculina individual, a escola tomou conta do gramado e dividiu espaço com os alvos. Os coreanos, que haviam acabado de ganhar a medalha de ouro por equipes, ficaram de lado, apenas aplaudindo.

Ontem, foi a vez de um grupo de música popular da Coreia fazer seu carnaval. Com tambores e bumbos, eles saudaram seus campeões – o país dominou as premiações individuais e coletivas – dentro e fora do Sambódromo.

Evandro Azevedo, técnico brasileiro, afirmou que esse clima não atrapalha a concentração. “O arqueiro só perde o foco se estourar um bomba perto dele no momento exato de soltar a flecha”, opina.

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