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'Barbie' do wrestling, Heloisa Martinez ganha aprendizado nos Jogos da Juventude

Atleta diz não saber se poderá lutar em Tóquio por estar em categoria abaixo da mínima

Paulo Favero, enviado especial / Buenos Aires, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2018 | 12h02

Heloisa Martinez tem 1,55 metro de altura e pesa 43 kg. Quem olha para aquela menina com olhar meigo mal sabe que é um competidora feroz no wrestling, a luta olímpica. Ela representou o Brasil nos Jogos Olímpicos da Juventude e confessou que adquiriu muita experiência com essa participação em Buenos Aires, na Argentina.

"Acho que a experiência de já ter chegado até aqui foi válida. Claro que o objetivo era conquistar a medalha de ouro, mas não deu, então tenho de continuar persistindo. O sonho não acabou, apenas começou. É uma sensação maravilhosa saber que estou entre as 10 mais bem colocadas do mundo e isso vai me motivar cada vez mais", disse.

Logo que começou, ela ganhou um apelido inusitado. "Foi no primeiro Jogos Escolares que fui. Na época estava loira, era bem pequenininha, aí um professor de Manaus acabou brincando e falou que colocaram até uma Barbie para lutar. Depois, quando me viram lutar falaram: 'Nossa, mas que Barbie é essa?' O apelido pegou", contou, rindo.

Chegaram até a falar que era uma 'Barbie Assassina', tamanha a vontade de lidar com suas adversárias. Claro que depois ficou apenas Barbie porque aquilo não soava bem. "Eu vim do judô, já tinha essa base e quando vi a possibilidade de pegar perna, me interessei mais. Comecei aos 11 anos nos Jogos Escolares. Me encaixaram numa disputa, foi minha primeira competição, sem treinar, e lá tinha uns atletas para treinar", explicou.

Na época ela vivia em Natal, por causa do trabalho do pai como militar. Mas ela é de São José dos Campos, no interior de São Paulo, e atualmente treina em Pirassununga (SP) em uma modalidade que não é muito popular no Brasil. "Eu acho que a gente poderia divulgar mais para que as pessoas vejam o quanto é interessante esse tipo de luta", afirmou.

Aos 17 anos, ela volta para o Brasil com a sensação de dever cumprido e a certeza de que pode ir mais longe. "Nunca está bom o treino, sempre tem de buscar melhorar mais, precisa ir atrás da perfeição e sempre querer mais. Não sei se dá tempo para eu disputar os Jogos de Tóquio porque minha categoria é abaixo da mínima. Luto nos 43 kg e lá a categoria é 49 kg. Então tenho um longo caminho até lá, mas espero conseguir ir", finalizou a garota, ciente de que terá de crescer mais.

 

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