Brasil fica na 'linha de corte' por vaga olímpica na ginástica

Brasil fica na 'linha de corte' por vaga olímpica na ginástica

Romênia também falha em competição na Escócia

Estadão Conteúdo

23 de outubro de 2015 | 15h42

Há alguns anos a ginástica artística feminina do Brasil esperava a chegada de 2015 para que Flávia Saraiva e Rebeca Andrade chegassem aos 16 anos e à categoria adulta. Mas se a equipe brasileira se classificar à Olimpíada, deverá agradecer a Lorrane Oliveira, de 17 anos, que viveu à sombra delas por toda a juventude. A garota que também estreou este ano como adulta teve um desempenho surpreendente na fase de classificação do Mundial de Ginástica, nesta sexta-feira, em Glasgow (Escócia) e deixou o Brasil por enquanto na quarta colocação geral, na linha de corte por uma vaga nos Jogos Olímpicos do Rio-2016.

O Brasil competiu na quarta rotação, junto com a Grã-Bretanha e após outras seis equipes. Somou 221,861 pontos, ficando atrás das britânicas (227,162), das japonesas (223,863) e das canadenses (222,780). Não fosse um desempenho abaixo do esperado nas barras assimétricas, tradicionalmente o aparelho que as brasileiras têm mais dificuldades, a vaga olímpica seria certa.

Isso porque agora o Brasil está na "linha de corte" por um lugar nos Jogos do Rio. Em quarto, deverá cair para o sétimo lugar após as apresentações de Rússia (ainda esta sexta), China (sábado de manhã) e Estados Unidos (sábado à tarde). Aí, será brigar pelo sétimo e oitavo lugares contra uma série de rivais: Itália, Alemanha, Coreia do Norte, França, Austrália e Holanda, entre outras.

Antes de competir, o Brasil assistiu à Romênia falhar. Uma das mais importantes escolas da ginástica, as europeias falharam demais nas barras assimétricas e praticamente deram adeus à disputa por uma vaga olímpica. Japão e Canadá tiveram desempenho parecidos e já pintavam como rivais das brasileiras.

Por isso, a cada aparelho pelo qual o Brasil passava, vinha a comparação com Japão e Canadá. No solo, as brasileiras brilharam, com 55,631 pontos. Só Letícia Costa, que foi ao Mundial apenas para competir no solo, decepcionou. Depois, no salto, 58,132 pontos para o Brasil, que naquele momento liderava.

Mas aí vieram as barras. Thauany Araújo fez a parte dela sem brilhar, com 12,800 pontos. Jade Barbosa vacilou e somou apenas 11,633, apesar de apresentar uma série de alto nível de dificuldade. Lorrane tranquilizou um pouco as coisas, com 13,600. Daniele também decepcionou, com 12,300, mas Flávia Saraiva foi muito bem, com 13,266.

Os 51,966 pontos somados no aparelho deixaram o Brasil para trás na briga com Canadá e Japão, que chegaram à casa de 55 pontos. Toda a vantagem aberta no solo e no salto havia ido por água abaixo.

Ainda restava a trave, onde mais poderia pesar o nervosismo de uma equipe jovem. Mas foi exatamente no momento decisivo que o Brasil cresceu. Mais uma vez Thauany começou mal, mas as outras quatro brasileiras tiveram notas que as deixaram entre as oito melhores do aparelho até aqui. Com 56,132 pontos, ninguém foi melhor na trave que o Brasil até aqui no Mundial.

Os 221,861 pontos, entretanto, dão boa esperança para o Brasil na Olimpíada, caso a vaga seja conquistada agora ou no evento-teste do ano que vem (mais quatro equipes se classificação no Pré-Olímpico). Com Rebeca Andrade, melhor ginasta do País, disponível, o time tem condições reais de brigar para ficar entre as cinco melhores equipes no Rio.

INDIVIDUAL

O Brasil participou do Mundial pensando exclusivamente no resultado por equipes, tanto que nenhuma ginasta se apresentou duas vezes no salto - exigência para brigar por fazer final no aparelho. Ninguém queria correr o risco de se desgastar por algo que não era prioridade.

Mesmo assim, as brasileiras brigam por finais. No individual geral, muito dificilmente o Brasil não terá duas representantes na decisão. Lorrane é a quinta, com impressionantes 56,365 pontos. Flávia Saraiva vem em sexto, com 55,798. Como há o limite de duas atletas por país na final, elas deverão ficar entre as 24 primeiras. Daniele conquistou 54,432 pontos e Jade Barbosa 54,099.

Na trave, Jade é candidata à medalha. Até aqui, tem a segunda melhor nota: 14,200, seguida de Flavinha (14,133). Já no solo é Flávia quem briga para fazer final. Por enquanto, é quinta, com 14,166.

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