Basquete do Brasil tem decisão fora da quadra neste sábado

País tem dívida com a FIBA e pode perder vaga direta na Rio 2016

Marcio Dolzan, ENVIADO ESPECIAL A TORONTO, O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2015 | 07h00

O basquete brasileiro terá neste sábado, a partir das 11h (horário de Brasília), sua primeira decisão em Toronto, mas fora de quadra. As diretorias da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) e do Comitê Olímpico do Brasil (COB) vão se reunir com o comitê executivo da Federação Internacional de Basquete (Fiba) em busca de um acordo que garanta a presença do País na modalidade nos Jogos Olímpicos do próximo ano. Por ser país-sede, o Brasil tinha suas vagas garantidas, mas uma dívida passou a ameaçar essa condição.

O impasse se prolonga já há alguns meses e, apesar de não haver uma confirmação oficial, tem um preço: US$ 1 milhão (cerca de R$ 3,18 milhões). Esse seria o valor do “convite” que a CBB ganhou da Fiba para que a seleção masculina disputasse o Mundial do ano passado, na Espanha. O convite se fez necessário porque o time não se classificou dentro de quadra.

O valor acabou não sendo pago. No mês passado, a CBB enviou uma proposta de parcelamento de seu débito que só terminaria em 2019. A Fiba se mostrou irredutível e estabeleceu o prazo de 31 de julho para que a conta seja paga. Caso isso não aconteça, garantiu que vai tirar as vagas diretas do Brasil na Olimpíada.

A última tentativa de acordo ocorrerá na reunião deste sábado, em Toronto. “Estou bem otimista e acho que vai dar tudo certo”, disse ontem Carlos Nunes, presidente da CBB, ao Estado. “Acredito que vamos definir já amanhã (hoje). Vamos sentar e ver o que eles querem. Tem muito diz que diz nessa história toda”, disse o presidente. 

Nos bastidores, comenta-se que o montante devido já foi levantado. Ele viria da Nike, patrocinadora do COB. Certo, porém, é que a CBB não receberá ajuda do governo para quitar a sua dívida. “Entendemos que é um problema da CBB. O que esteve dentro do nosso alcance nós conseguimos fazer com a mobilização. Eles perderam o patrocínio da Eletrobrás e tentamos recentemente que outras empresas pudessem fazer isso”, declarou na semana passada o ministro do Esporte, George Hilton.

Apesar de garantir que está focada na disputa dos Jogos Pan-Americanos de Toronto, a equipe feminina do Brasil não consegue se manter alheia ao assunto.“A gente fica ansioso. É uma Olimpíada que está em jogo”, disse ontem o técnico Luiz Zanon.

“No meu início de projeto eu planejei participar de todos os campeonatos com essas meninas. Começamos lá no Sul-Americano, depois fomos para o Mundial, o Pan-Americano, o outro Pré-Olímpico, Copa América e Olimpíada”, enumerou. “Seria triste ficar fora, porque quebraria esse ciclo de primeiro amadurecimento deste grupo.”

A ala Patty Teixeira, um dos destaques do time nos Jogos Pan-Americanos, disse inicialmente que o time se mantém alheio a essa questão, mas depois deixou escapar a preocupação de ficar de fora da Olimpíada. “É um assunto que nos deixa nervosas, ainda mais que é no Brasil. Mas se for preciso vamos buscar a vaga no Pré-Olímpico.”

A pivô Kelly Santos, por sua vez, procurou passar tranquilidade. “A gente quer ser campeã da Copa América. Não importa se é vaga ou não, se vai estar pago ou não. É o nosso objetivo. Se estiver valendo vaga, vai ser mais gostoso ainda.” (Colaboraram Nathalia Garcia e Paulo Favero)


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