Antonio Pita, Rio, e Ciro Campos, enviado especial ao Rio, O Estado de S.Paulo

15 Agosto 2016 | 05h00

Duas equipes masculinas de esportes coletivos jogam hoje contra o próprio nervosismo para evitar o vexame da eliminação precoce do Brasil nos Jogos do Rio e passar às quartas de final das competições. Às 14h15, o basquete precisa vencer a Nigéria e torcer por outro resultado, enquanto o vôlei tem confronto direto com a França, às 22h35.

Vítimas de chaves equilibradas e de vacilos em derrotas anteriores, os dois times brasileiros vão precisar do mesmo atributo para se saírem bem. Controlar a ansiedade passou a ser o obstáculo principal.

A situação mais difícil é do basquete. A derrota na segunda prorrogação para a Argentina, no sábado, obriga a buscar uma vitória sobre a Nigéria na Arena Carioca 1 e ter de aguardar por mais cinco horas para saber se estará nas quartas de final. A longa espera é para saber se virá o resultado desejado, a derrota da Espanha para a Argentina, com jogo marcado para as 19h.

“A gente não precisava estar nessa condição. Temos bons jogadores, de talento e maturidade. Não estamos sabendo tirar proveito disso”, comentou Leandrinho.

As três derrotas em quatro jogos vieram por diferenças de no máximo seis pontos, frutos de desatenções, como a do último sábado. Uma cesta argentina a três segundos do fim levou o confronto para a prorrogação. 

No vôlei, a questão psicológica também aflige os comandados do técnico Bernardinho. O filho dele, o capitão Bruninho, prometeu conversar com o time para acalmar.

“É um peso que a gente está carregando e não tem que carregar. A gente já jogou em inúmeros momentos com pressão. Se a gente não jogar, é por que não merece passar de fase”, disse o levantador.

A vantagem da equipe de vôlei é não depender de outros resultados. Mesmo após duas derrotas, uma vitória simples basta para colocar a equipe nas quartas.

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Ciro Campos, enviado especial ao Rio, O Estado de S. Paulo

15 Agosto 2016 | 05h00

Restou ao Brasil, quem diria, torcer para a Argentina no basquete masculino. A vitória dos rivais sobre a Espanha é tão necessária quanto ganhar da Nigéria, nesta segunda-feira, para salvar a renomada geração do adeus precoce.

Antes do torneio olímpico, poucos pensavam que a seleção chegaria a viver momento tão complicado. Afinal, o elenco formado com base em jogadores com passagens pela NBA resgatou a expectativa da torcida nos últimos anos por resultados melhores em competições. 

“Como os torcedores gostam de cantar aquela música, o ‘eu acredito’, eu também tenho que confiar. Temos um jogo pela frente e vamos buscar”, disse o experiente Nenê, de 33 anos.

A participação nos Jogos pode ser o último torneio para vários atletas. Além de Nenê, mais quatro do time do técnico Ruben Magnano têm mais de 30 anos e podem não representar mais a seleção nas próximas temporadas. 

A luta do Brasil para se classificar reserva uma péssima “recompensa”. Se avançar, a equipe terá nas quartas de final os Estados Unidos, que ontem derrotaram a França e confirmaram o primeiro lugar do outro grupo.

Punido por erros em momentos decisivos e pelo equilíbrio do grupo, o Brasil terá pela frente um adversário que tem chances remotas de avançar. A Nigéria ganhou sobrevida porque a equipe da casa perdeu da Argentina.

Os africanos não ganharam um jogo sequer e estão animados para fazer história. “Jamais um time da África foi às quartas. Então, não jogamos somente pelo nosso país, mas pelo continente”, disse Alade Aminu.

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Antonio Pita, O Estado de S.Paulo

15 Agosto 2016 | 05h00

Após três finais seguidas nas últimas edições dos Jogos, o vôlei masculino vive situação rara: a possibilidade de dar adeus a uma competição na fase inicial. O técnico Bernardinho cobrou “lucidez” dos jogadores para superarem a França e não serem eliminados em casa.

“Como é o clique para fazer com que eles não sintam pressão excessiva?”, questionou Bernardinho, após derrota para Itália, no sábado. “É uma geração que foi consistente no ciclo como um todo, mas bateu na trave muitas vezes. Se a gente está em casa tem mais expectativa. Temos que nos reagrupar”, disse.

O elenco viveu decepções recentes em outras decisões. Nos dois últimos anos, foram três vices, entre Liga Mundial, Pan-Americano e Mundial.

O treinador insistiu que o time precisa a equilibrar a velocidade do jogo. O erro custou duas derrotas seguidas para Estados Unidos e Itália e obriga a ganhar da França, adversário que também precisa da vitória para avançar.

“É preciso saber o momento de forçar o saque ou segurar depois de uma sequência de erros. O importante é estar lúcido permanentemente, pensar na ação e não na consequência”, disse Bernardinho. 

A pressão também afeta os franceses, que perderam as duas primeiras partidas para os mesmos algozes brasileiros, Itália e Estados Unidos. Com média de 26 anos, os atletas disputam os Jogos pela primeira vez. 

“A equipe é jovem e há quatro anos esperamos por esse momento. Os jogadores gostariam de passear, mas estão concentrados. Será uma partida dura e nervosa para ambos”, explicou ao Estado o técnico francês Laurrent Tillie. 

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