Basquete feminino não é 'carta fora do baralho', diz técnico

Mesmo enfrentando problemas que sólhe permitirão definir a equipe às vésperas da Olimpíada dePequim, o técnico da seleção feminina de basquete, Paulo Bassulafirmou que sua equipe não é "carta fora do baralho". O treinador afirmou que o Brasil tem três jogos difíceis emseu grupo, contra Coréia do Sul, Belarus e Letônia, e doisjogos "muito difíceis" contra Rússia e Austrália. Mas afirmaque apesar da chave olímpica, chamada por ele de "duríssima",nenhuma dessas seleções têm times impossíveis de seremderrotados pelas brasileiras. "A gente não é carta fora do baralho não, seria até muitocômodo para nós vendermos essa história, mas não vamos venderisso não. Vamos vender uma história de um time lutador, queficou feliz com a vaga, mas estar feliz é diferente desatisfeito. Satisfeito é fim de linha e nós estamos muito longedisso", disse Bassul. A principal dor de cabeça do técnico é a falta de ritmo dejogo das pivôs Érika, que ficou de fora do Pré-olímpico porfratura causada por estresse, mas já está sem a dor causadapela lesão, e Kelly, que não vem sendo aproveitada em seu timena liga norte-americana WNBA. Além disso, durante o torneioclassificatório, a ala Iziane, uma das principais jogadoras doBrasil, se desentendeu com Bassul durante partida contraBelarus e foi afastada da seleção. "Por enquanto continuo trabalhando pensando que vou contarcom elas (Kelly e Érika). O grupo está muito bem, está fazendoum jogo agressivo na defesa, coletivo no ataque. Acho que aequipe vai chegar pronta", disse Bassul. "A Érika é uma jogadora com a qual eu conto totalmente. Elaé crucial para nós e vou ter toda a paciência do mundo parapoder contar com ela no grupo. Já a Kelly está com uma situaçãosemelhante, de pouca utilização, e ter mais minutos na equipedela seria muito positivo para nós. Se não acontecer,continuará sendo um problema", acrescentou Bassul nestaquarta-feira a jornalistas. "A Iziane é assunto encerrado, não falo sobre isso. Temosque pensar agora em quem vai, não podemos tirar foco do grupo",evitou o assunto. O Brasil enfrentará três estilos de basquete na faseclassificatória. Asiático, representado pela Coréia e quemostra jogo muito rápido, intensa troca de passes e constantesarremessos de três pontos. Europeu, com equipes muito altas,que jogam mais cadenciado e cometem poucos erros, eaustraliano, semelhante ao norte-americano, em que as jogadorasabusam do físico em defesas agressivas, marcação em toda aquadra e jogadas arriscadas em velocidade, disse o técnicobrasileiro. "A equipe está sendo montada taticamente para terversatilidade para enfrentar as três escolas. Contra a Coréia,pode ser que a gente use um time mais leve, abuse das pivôsmais rápidas. Vamos pensar um jogo de cada vez, um resultado decada vez", afirmou Bassul. Para a ala/pivô Êga, 30 anos, a partida contra a Coréia, em9 de agosto, será "um jogo para ver quem corre mais." "Vamos jogar na velocidade, temos que botar para corrercontra elas", afirmou à Reuters. A jogadora, que vai disputar aprimeira Olímpiada da carreira, afirmou que as dificuldades daequipe estão agindo como motivação. "Cada problema estáservindo para unir mais o grupo. É um esforço de superação eestamos ganhando confiança a cada dia."

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