Batucada desaparece e Brasil mostra cara de choro

Alegria do início do torneio de futebol em Pequim não é vista entre jogadores; ainda resta a chance do bronze

Almir Leite, enviado especial - O Estado de S. Paulo

20 de agosto de 2008 | 09h19

Paulo Pinto/AE Argentino Riquelme comemora na frente dos abalados jogadores brasileiros após gol da Argentina   PEQUIM — A seleção brasileira de futebol não imaginava que perderia a chance de disputar a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos e quebrar o tabu. Desde Atlanta-1996 que o Brasil não ganha uma medalha. Na Coréia do Sul, foi de prata e a de ouro ainda é coisa inédita na história.     Veja também:  Pato diz que bronze no futebol deve ser visto com orgulho  Futebol masculino pode repetir em Pequim pódio de Atlanta A campanha brasileira na Olimpíada de Pequim    Talvez tenha sido esses motivos, aliados às críticas ao futebol da seleção brasileira, que facilitaram o trabalho da Argentina na hora de eliminar os brasileiro, por 3 a 0, no jogo das semifinais dos Jogos Olímpicos de Pequim. Alguns jogadores do técnico Dunga ficaram abalados.   Ronaldinho Gaúcho é um deles. Capitão do barco que havia prometido a medalha de ouro em Pequim, o jogador do Milan e astro do Barcelona até outro dia é o que parece ter sentido o baque mais forte. Não tem conseguido demonstrar o sorriso otimista. Nem mesmo a chance do bronze dissimula a situação.   Mas não foi só Ronaldinho que sentiu. Toda a seleção e comissão técnica não parece acreditar no que aconteceu. Os volantes Hernanes, do São Paulo, e Anderson, do Manchester United, mudaram de postura. Falantes e brincalhões desde que chegaram a Pequim, a dupla não consegue mais demonstrar a mesma hiperatividade. Estão quietos.   Dois outros jogadores entenderam melhor a situação, talvez por terem a plena certeza de que tentaram ao máximo cumprir seus papéis dentro de campo. O goleiro Renan, do Valência, por exemplo, é um que disse ter a consciência tranqüila. Segundo ele, os gols que tomou na partida não foram por sua culpa, ainda mais se "levarmos em consideração a força da Argentina".   O zagueiro Alex Silva, também do São Paulo, é outro que não demonstrou tanta tristeza. Sonha ainda sair de Pequim com a medalha de bronze, afinal, o time do técnico Dunga vai pegar a Bélgica pelo terceiro lugar nesta sexta-feira, a partir das 8h (horário de Brasília), em Pequim.   "Também não é o fim do mundo", disse o zagueiro sobre a derrota para a Argentina. "Eles têm capacidade e perdemos um jogo contra uma grande seleção", completou Alex Silva.   Apesar do otimismo de alguns, a própria comissão técnica do Brasil demonstrou abatimento. Nesta quarta-feira, o treino que Dunga iria comandar foi desmarcado. No lugar da atividade, uma outra bem mais relaxante. Um trabalho na piscina para soltar os músculos como preparação.   A Seleção Brasileira precisa juntar os cacos para tentar ganhar o bronze, porque o clima não está nada legal. A prova poderá vir contra a Bélgica. É questão de espera.

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