Bernardinho vê geração 'surreal' sem sucessão à altura pós-Jogos

Ao mesmo tempo em que vislumbrao tricampeonato olímpico, a seleção masculina de vôlei doBrasil viverá nos Jogos de Pequim, em agosto, o fim de umageração "surreal", nas palavras de seu comandante, que não vêuma repetição do grande sucesso nas mãos dos substitutos. A previsão do técnico Bernardinho, que vê a Olimpíada daChina como o maior desafio de um time que conquistou osprincipais títulos do mundo nos últimos oito anos, serve dealerta os torcedores acostumados a acompanharem a equipe sempreno lugar mais alto do pódio. "Não sei se classificar esse ciclo de irreal ou surreal,mas realmente se ganhou mais do que se deveria. Isso talvezseja um legado pesado demais para aqueles que permanecerem",disse o treinador a jornalistas, nesta terça-feira, no primeirodia de treinamento da equipe para a Liga Mundial e os JogosOlímpicos. Após Pequim, os principais jogadores brasileiros devemanunciar o adeus à seleção. O ex-capitão Nalbert e Gustavo jáconfirmaram que deixam a equipe depois dos Jogos, enquantoMarcelinho, Escadinha, Giba e André Heller dão indicação de quedevem seguir o mesmo caminho. Para seus lugares, Bernardinho promove uma reformulaçãogradual no elenco, com a entrada de jogadores como Samuel,Bruninho e Lucas em partidas menos importantes. A promessa dotécnico é levar cada vez mais jovens para o grupo, e para issoele vai aproveitar os primeiros jogos da Liga Mundial, quecomeça em junho e terá sua fase final disputada no Rio deJaneiro, com presença garantida do Brasil. "Há muitos que vão continuar, outros que estão chegando ecarregarão a bandeira. O que não se pode é cobrar, depois de umciclo como esse -- que não dá pra repetir. Seria uma cobrançainjusta demais", acrescentou o treinador. PESO DO FAVORITISMO Desde que assumiu a equipe, após a Olimpíada de Sydney, em2000, Bernardinho levou o Brasil ao título olímpico de 2004, aobi mundial em 2002 e 2006, ao bi na Copa do Mundo (2003 e2007), ao título pan-americano no Rio em 2007 e a seis títulosda Liga Mundial. Para o treinador, reconhecido pela cobrança intensa dosatletas mesmo após conquistas, os Jogos de Pequim serão o maiordesafio do time, especialmente por se tratar do fim de um ciclona seleção para alguns dos principais atletas. "O Brasil vai enfrentar o maior desafio desses oito anos. Acobrança em cima do favoritismo é maior, e nós chegamos nofinal de um ciclo", disse Bernardinho, ainda sem futurogarantido na seleção. "Se eu chegar bem até Pequim já está bom.Quando acabar a Olimpíada, a gente faz um balanço." O representante mais destacado da nova geração é justamenteo filho do treinador, o levantador Bruninho, de 21 anos. Depoisdo desentendimento entre o ex-capitão Ricardinho e o técnico,antes do Pan do ano passado, Bruninho ganhou espaço na equipe edeve ocupar a vaga de titular após a Olimpíada, no lugar deMarcelinho. "Tudo o que eles conquistaram acaba deixando para nós umaherança com muita responsabilidade. Os torcedores vão imaginarque o Brasil continue sempre nos lugares mais altos do pódio,como tem conseguido sempre", afirmou o jogador. "A responsabilidade dessa geração é continuar pelo menostrabalhando o quanto eles trabalharam para manter o vôlei doBrasil onde está."

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