Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Bia derrota usbeque em decisão unânime e garante ao menos o bronze no boxe em Tóquio

Pugilista brasileira impõe superioridade durante toda a luta e está classificada na semifinal olímpica

Wilson Baldini Jr, Estadão Conteúdo

03 de agosto de 2021 | 05h29

A boxeadora Beatriz Ferreira garantiu pelo menos a medalha de bronze na categoria dos pesos leves (até 60 quilos) nos Jogos Olímpicos de Tóquio, ao vencer nesta terça-feira a lutadora Raykhona Kodirova, representante do Usbequistão, nas quartas de final do boxe. Os jurados não tiveram dúvidas de quem ganhou: 5 a 0, em decisão unânime (30 a 27 - quatro vezes- e 30 a 26). "A mãe de todos veio (a medalha), agora vamos mudar a cor dela", disse para a TV.

Esta é a oitava medalha do boxe brasileiro em olimpíadas. Servílio de Oliveira foi bronze no México-1968, depois Esquiva Falcão, Yamaguchi Falcão e Adriana Araújo subiram no pódio em Londres-2012. Robson Conceição foi campeão na Rio-2016. Ou seja, nas três últimas edições olímpicas, o boxe brasileiro sobe no pódio. 

Atual campeã mundial, Beatriz volta ao ringue na quinta-feira para a disputa da semifinal, quando terá pela frente a finlandesa Mira Marjut Johanna Potkonen, que eliminou, por 3 a 2, a turca Esra Yildiz.

Beatriz teve domínio total da luta. Já no primeiro assalto não se intimidou com o fato de a adversária ser canhota. Abdicou do jab para usar o direto de direita e teve sempre sucesso. Kodirova usou os clinches para impedir a troca de golpes na curta distância. 

Bia voltou mais rápida para o segundo assalto e passou a atacar a linha de cintura. Cruzados de direita e esquerda também atingiram, além de um forte direto de direita. O terceiro round foi bastante disputado, mas a brasileira, mais uma vez, levou vantagem, demonstrando ótimo preparo físico. Mais duas 'bombas' explodiram no rosto da usbeque.

"A luta aconteceu como eu esperava, então pude colocar todo o planejado em prática. Ela é uma adversária dura, que suporta os golpes e por isso tive de ser intensa o tempo todo", disse a boxeadora nacional. Sobre a próxima rival, quando valerá uma vaga na final olímpica, Bia esbanjou confiança. "Que venha qualquer uma. Aqui é Brasil. Pode confiar!"

Bia começou no boxe aos quatro anos de idade na garagem de casa, onde seu pai, Raimundo, mais conhecido no boxe como Sergipe (tricampeão baiano, bicampeão brasileiro e sparring de Popó), dava aulas para crianças carentes da região. Por falta de competições de boxe feminino, Bia precisou esperar até 2014 para iniciar a carreira. Venceu uma luta, mas acabou desclassificada pois já havia participado de um torneio de muay thai e recebeu uma punição de dois anos - a Aiba (Associação Internacional de Boxe) proibia que as atletas participassem de competições por outras modalidades .

Bia voltou em 2016 e passou também a ser sparring de Adriana Araújo, medalha de bronze na Olimpíada de Londres-2012. Talentosa, ficou com a vaga da amiga, que passou para o boxe profissional. Em 30 disputas internacionais, só não subiu no pódio uma vez. Entre suas principais conquistas está o título mundial, em 2019, na Rússia.

Em Tóquio, o peso pesado Abner Teixeira, que luta a semifinal ainda nesta terça-feira, e o peso médio Hebert Conceição também já têm bronze garantido.

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