Jonne Roriz/COB
Jonne Roriz/COB

Bicampeãs olímpicas da vela mantêm parceria e projetam dupla até os Jogos de Paris em 2024

Martine Grael e Kahena Kunze vão para outro ciclo olímpico em busca do terceiro ouro seguido na classe 49er FX

Entrevista com

Martine Grael

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2021 | 15h01

As bicampeãs olímpicas na classe 49er FX de vela vão seguir juntas até os Jogos de Paris. Martine Grael, que esteve em Aracaju para receber o troféu de melhor do ano em sua modalidade no Prêmio Brasil Olímpico, revelou ao Estadão que já está tudo certo para manter a parceria com Kahena Kunze até 2024. Elas foram medalha de ouro na Rio-2016 e em Tóquio-2020, e agora vão tentar mais uma campanha vitoriosa.

Depois da medalha em Tóquio, vocês não sabiam se iriam manter a dupla para mais um ciclo. O que decidiram?

Realmente antes de Tóquio a gente estava na dúvida se seguia ou não, e a gente não quis conversar muito logo depois da Olimpíada para não acelerar as coisas. Mas eu sinto muita vontade de treinar e ir lá buscar. Fomos super bem na Olimpíada e acho que ainda temos coisas para dar. Ficou um pouco óbvio que podíamos continuar, estava muito forte isso para mim.

Como será o trabalho até Paris-2024?

Ano que vem vamos começar aos poucos e ir acelerando a intensidade. Mas tem de ser gradual para não queimar tudo logo no começo e não faltar para o fim. Com esporte de dupla precisa tomar muito cuidado com essa parte do burnout da equipe. Acho que o importante é estar bem fisicamente e até nas férias eu e a Kahena costumamos fazer muita atividade física. Isso é muito importante para não ter lesão no futuro.

A medalha de ouro no Japão tirou um peso das costas de vocês?

O ciclo inteiro de Tóquio foi muito difícil. A pandemia alterou todos os planos, a gente vivia na base da semana, decidindo o que iria fazer. O pessoal do COB conseguiu organizar tudo e viabilizar isso. A gente viveu uma dificuldade com equipamento, tinha coisas que estavam no Japão e a gente não podia ir para lá, então acho que quando encerrou foi uma realização, conquista e alívio.

Você conhece o local de competição da próxima Olimpíada?

A gente já competiu em Marselha, mas em 2013, então faz muito tempo. E estou bem curiosa para voltar lá e ganhar mais experiência e adquirir informações.

No Rio você reparou na bandeira do Brasil tremulando e se baseou nisso para escolher o lado da raia. Em Tóquio viveu situação parecida na manhã da medal race, ao olhar a raia. Como é esse processo para você?

Na vela tem muito de se adaptar ao local da competição, é uma parte muito importante desta modalidade. Precisa ter o olho bem aberto, observar muito, enxergar padrões, é algo que não se faz no dia, se faz ao longo de um mês. Então tem de ir em vários anos na mesma época, perguntar para as pessoas sobre experiências nas regatas, e aí vai juntando informações, como um quebra-cabeça. A vela é um jogo mais de erros do que de acertos. O importante é aprender com os erros

Vocês já estão sonhando com a terceira medalha de ouro seguida da dupla?

Certamente é cedo para falar em tricampeonato olímpico. Teve muita mudança nessa classe, mais de 80% das competidoras que estiveram na Rio-2016 já pararam, e agora está tendo uma renovação muito grande. As meninas estão vindo com muito ânimo, muito treino, então será um ciclo que teremos de descobrir isso no caminho.

O Mundial em Omã, há algumas semanas, quando vocês ficaram com o bronze, foi um aperitivo disso?

Este Mundial já foi um exemplo de que existem muitos times novos com nível muito alto. Ainda tem dois anos e meio e dá para ver que esses times vão longe. Então a gente tem de segurar a rédea do nosso time no topo para tentar ir junto.

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