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Bob Burnquist teme descaracterização de radicais na Olimpíada

'Olimpíada precisa mais do skate do que o skate da olimpíada'

Renan Fernandes, O Estado de S. Paulo

11 de outubro de 2015 | 17h00

A entrada do surfe e do skate na Olimpíada já foi recomendada pelos organizadores dos Jogos de Tóquio-2020. Atleta mais premiado dos X-Games, espécie de olimpíada dos esportes radicais, o brasileiro Bob Burnquist vê o interesse do COB pelos radicais como um reconhecimento, mas alerta para a importância de não mudar a essência dos esportes.

"O skate é uma arte, é subjetivo, não é quem fez mais gol que ganha. É muito parecido com a ginástica. Então, temos que ver o que vão querer. Será que vão querer moldar o skate? Tem que fazer isso e aquilo. O skate não pode ser encaixotado", argumenta.

O skatista é ainda mais taxativo para explicar seu ponto de vista. "As Olimpíadas precisam mais do skate do que o skate precisa das Olimpíadas. A gente sabe que a juventude de hoje não vai sentar para assistir um lançamento de dardo, por exemplo. Sem desmerecer nenhum esporte, porque são modalidades milenares. Mas nós estamos em 2015, onde as atividades são completamente diferente de quando as Olimpíadas começaram." 

Quando confirmaram a lista de indicações para 2020, os organizadores de Tóquio destacaram esta necessidade de se aproximar ao público mais jovem e conseguir 'abrir novas audiências em todo o mundo'. Completam a lista de sugestões japonesas para o programa Olímpico a escalada, o caratê e o beisebol-softbol.

NOVO ESPORTE?

Como garantir a presença do surfe em países que não são banhados pelo mar? A resposta para esta questão está na construção de uma piscina olímpica de ondas artificiais. Esta também seria uma forma do COI igualar as condições da disputa, evitando que um surfista consiga uma vitória por ter feito uma manobra em uma onda melhor.

Com estas mudanças, o surfe perderia algumas de suas características, como remada, posicionamento e leitura de onda. Mas outros fatores positivos também seriam acrescentados neste novo modelo do esporte. 'Acredito que com essas piscinas artificiais podemos ter "Estádios de Surfe" nos Jogos Olímpicos!'

A afirmação é do surfista brasileiro Ian Goveia, que participou do Red Bull Unleashed 2015. O evento disputado no parque de ondas artificiais Surf Snowdonia, no País de Gales, no fim de setembro, inovou ao trocar o sistema tradicional de baterias de 30 minutos, utilizado na elite mundial, por disputas de dois competidores em cinco rounds, onde cada onda era avaliada.

Apesar de ter perdido logo na primeira rodada para Albee Layer, grande vencedor do campeonato, o único representante do Brasil aprovou o formato do torneio e destacou a proximidade do público com os surfistas como um dos pontos altos da experiência na Europa. "Foi muito interessante surfar numa piscina cercado por uma plateia gritando e vibrando. Me senti em um estádio de futebol e eu era o jogador."

 

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