Boicotes políticos prejudicariam atletas, não os Jogos, diz COI

'Os Jogos Olímpicos são dos atletas e os atletas são inocentes', discursa o presidente Jacques Rogge

Ossian Shine, Reuters

11 Abril 2008 | 14h44

Qualquer boicote à Olimpíada de Pequim por parte de políticos somente prejudicaria os atletas, disse o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, na sexta-feira. Para o dirigente, o distanciamento dos líderes mundiais não atrapalharia os Jogos. "Nós preferimos, é claro, que os políticos não falem em boicote, mas isso é algo que eles devem decidir", disse Rogge a repórteres na capital chinesa. "A opinião pública pelo mundo não quer nenhum boicote. Os Jogos Olímpicos são dos atletas e os atletas são inocentes". "Os 205 Comitês Olímpicos Nacionais decidiram nesta semana que não haverá boicote a nenhuma prova. Há unidade nisso", acrescentou. O Parlamento Europeu pediu na quinta-feira que os líderes da União Européia boicotem a cerimônia de abertura dos Jogos, a não ser que a China inicie diálogos com o Dalai Lama sobre a questão do Tibete. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, cujo país terá a Presidência da União Européia à época dos Jogos, disse que a decisão de ir ou não à cerimônia de abertura vai depender de a China retomar o diálogo com o Dalai Lama. As manifestações contra a repressão da China aos protestos tibetanos interromperam o caminho da tocha olímpica na Europa e nos Estados Unidos, provocando uma reação nacionalista nas autoridades e na mídia chinesa. Apesar disso, Rogge insistiu que quaisquer boicotes não prejudicariam os Jogos. "Um boicote prejudicaria os atletas, mas não os Jogos. Tenho certeza de que os atletas lamentariam a ausência de seus líderes políticos ao desfilar", disse ele. "Mas, eu diria: vamos esperar pra ver". "Está claro que ninguém está atacando os Jogos. É a importância dos Jogos que atrai os eventos que temos visto", disse Rogge. "Eu não tenho bola de cristal, mas estou otimista e acho que os Jogos serão um grande sucesso." A China também não está preocupada com a notícia de possíveis boicotes. "A cerimônia de abertura das Olimpíadas de Pequim não é um encontro de lideranças", disse Zhan Youngxin, do Ministério das Relações Exteriores em Hong Kong. (Reportagem adicional de John Ruwith)

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