Felipe Dana/AP
Felipe Dana/AP

Bolt critica redução de pena a Tyson Gay após caso de doping

'É a coisa mais estúpida que já ouvi', afirma o velocista jamaicano

Estadão Conteúdo

24 de abril de 2015 | 11h09

Astro maior do atletismo, Usain Bolt reprovou de forma declarada a redução de pena concedida a Tyson Gay, velocista norte-americano flagrado no doping e que teve suspensão decretada de apenas um ano após colaborar com a Agência Antidoping dos Estados Unidos (Usada, na sigla em inglês) durante a investigação do seu caso.

Ao comentar o assunto polêmica em entrevista concedida à revista Runner''s World e reproduzida nesta sexta-feira pelo jornal inglês The Times of London, o astro jamaicano disse que a redução de pena "é a coisa mais estúpida que ele já ouviu".

Gay recebeu em 2014 a redução de pena para apenas um ano depois de ter testado positivo para o uso de esteroides anabolizantes em 2013. Normalmente, o norte-americano deveria cumprir uma punição de dois anos, prevista para este tipo de caso, mas acabou sendo liberado para competir novamente em julho passado após colaborar com a investigação da Usada, que resultou em uma suspensão de oito anos ao ex-técnico do atleta, Jon Drummond. A investigação comprovou que o treinador possuía, traficava e administrava substâncias proibidas em seus atletas.

Envolvido neste escândalo de doping, Gay foi obrigado a devolver a medalha de prata conquistada com o revezamento 4x100 metros dos Estados Unidos nos Jogos Olímpicos de Londres, pois admitiu ter feito uso de doping pouco tempo antes da disputa do grande evento. Por causa da punição, o corredor também perdeu tudo que conquistou a partir de 15 de julho daquele ano, seja marcas pessoais, premiação em dinheiro ou medalhas.

Dono de seis ouros olímpicos e dos recordes mundiais das provas dos 100m e dos 200m, Bolt disse ter ficado "muito chateado" com a decisão que favoreceu o norte-americano. "Ele pegou um ano apenas porque falou às autoridades sobre como isso (o esquema de dopagem) era feito e quem o ajudou", disse o jamaicano.

Para Bolt, a decisão que foi tomada "envia uma mensagem errada", a de que "se você fizer isso e for apanhado, apenas nos diga o que você sabe e nós iremos reduzir sua pena". "Essa é a coisa mais estúpida que já ouvi. A mensagem deveria ser: ''Vê você trapacear, você ser expulso do esporte".

Gay, que venceu as provas dos 100m, 200m e revezamento 4x100m do Mundial de Atletismo de 2007, voltou a competir em julho do ano passado e desde então cravou tempos mais rápidos dos que os obtido por Bolt. Os dois são esperados em disputas um contra o outro no Mundial de Atletismo que será realizado em agosto, quando voltarão a se enfrentar pela primeira vez após o retorno do norte-americano às pistas.

"Não estou ansioso para competir contra Tyson", garantiu Bolt, que depois enfatizou: "Isso (o caso de doping) realmente me incomoda... Eu o respeitei muito ao longo dos anos. Ele era um competidor que me manteve na ponta dos pés e sempre me forçou a fazer o meu melhor".

Bolt lembrou que fica indignado com o fato de que os atletas deviam ser orientados a ter "medo do uso de doping e a pensarem na consequência dos seus atos". "Se eles estão recebendo uma pena leve, por que eles iriam se importar?", questionou o jamaicano, enfatizando que a falta de rigor com o uso de doping facilita a ocorrência de escândalos no atletismo.

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