Fabio Motta| Estadão
Fabio Motta| Estadão

Bolt quer se superar nos 200 metros

Velocista jamaicano já ganhou ouro nos 100m no Rio

Gonçalo Junior e Nathalia Garcia, enviados especiais ao Rio, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2016 | 05h00

Depois de conquistar o inédito tricampeonato olímpico nos 100m, Usain Bolt já deixou claro que não vai se contentar “apenas” em vencer os 200 m, cujas eliminatórias começam hoje, às 11h30, no Engenhão. O jamaicano quer o recorde mundial na prova que é a sua especialidade.

“Eu quero de verdade o recorde mundial dos 200 metros. Eu vou correr o máximo possível para tentar executar o melhor que posso. Mas o recorde é o que eu realmente quero”, disse o campeão após a vitória consagradora na noite de domingo.

Bater o recorde dos 200m não é nenhum bicho de sete cabeças para quem domina a prova. Ele pode se tornar o primeiro atleta a vencer sete provas consecutivas na mesma prova. Desde 2008, ele ganhou tudo: foram quatro Mundiais e duas Olimpíadas. Depois de ser o único bicampeão olímpico, ele pode se tornar tri, o mesmo feito que já conseguiu nos 100 m.

O recorde de 19s19 pertence a ele mesmo e foi conquistado no Mundial de Berlim em 2009. Isso significa que Bolt parece enxergar a si mesmo como o único grande rival. Ele quer chegar perto dos 19s. Nesse contexto, ele terá condições melhores do que aquelas que encontrou no domingo. Leia-se: tempo de recuperação.

Bolt esbravejou que o intervalo entre a semifinal (21h07) e a final (22h25) foi insuficiente para que pudesse descansar e, por isso, disse que foi lento na conquista da sua primeira medalha no Rio, a sétima no total de sua carreira. “Eu esperava correr mais rápido na final. É muito ruim para qualquer atleta. Eu estava cansado após os 100 m e nunca fico cansado porque a gente não teve tempo suficiente para descansar. É ridículo”, afirmou o tricampeão olímpico em entrevista coletiva.

Nos 200m, ele fará a primeira eliminatória hoje, as semifinais amanhã e a final na quinta-feira. É tempo de sobra para tentar seu objetivo. “Depois das semifinais, se eu tiver uma boa noite de descanso, há a possibilidade de eu conseguir (o recorde). Vou lá e deixarei tudo na pista”.

O jamaicano está no Rio para ganhar três medalhas de ouro, mas vai passo a passo. A última prova é o revezamento 4 x 100 m. “Vim para essa Olimpíada para ganhar três medalhas de ouro. Eu vim para me provar novamente como um dos melhores. Se por alguma razão eu falhar, claro que ficarei triste”.

Rivais. Bolt foi tão superior aos rivais nos 200 m nos últimos anos porque é a distância em que consegue compensar suas deficiências na largada com a capacidade de manter sua velocidade máxima – cerca de 43 km – por muito mais tempo que os rivais. Enquanto a curva de aceleração dos outros competidores desce, a do jamaicano se mantém.

Em 2016, os rivais aproveitaram os problemas físicos de Bolt e acumularam marcas mais expressivas. O melhor tempo do ano é do norte-americano LaShawn Merrit, com 19s74. Ele é especialista nos 400 m, prova em que ganhou o ouro em Pequim-2008. Justin Gatlin, derrotado por Bolt nos 100 m, tem 19s75 na seletiva norte-americana e já soma uma medalha olímpica, o bronze em Atenas 2004. Na etapa de Londres da Liga Diamante, Bolt marcou 19s89 e se qualificou com o melhor tempo jamaicano na distância na temporada.

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