Bolt se despede da Rio-2016 com ouro no revezamento 4x100m

Jamaica confirma favoritismo e Japão termina em segundo; equipe dos EUA é desclassificada, e Canadá herda o bronze

Gonçalo Junior e Nathalia Garcia, enviados especiais ao Rio, O Estado de S.Paulo

19 Agosto 2016 | 23h03

O maior velocista que o mundo já viu se despediu dos Jogos Olímpicos da forma que sempre sonhou: eternizado. Depois de defender os títulos nos 100 m e nos 200 m, o jamaicano Usain Bolt sagrou-se tricampeão com a Jamaica no revezamento 4 x 100 metros nesta sexta-feira, no Engenhão, e conquistou a sua nona medalha de ouro olímpica. É o primeiro atleta da história a atingir tal feito.

Com a nona dourada, Bolt iguala a marca histórica de Paavo Nurmi, o Finlandês Voador, que é considerado o atleta mais bem-sucedido no atletismo nos 120 anos da era moderna dos Jogos. A antecessor ganhou 12 medalhas olímpicas - nove ouros e três pratas - em provas de longa distância. Além disso, o jamaicano ficou em pé de igualdade com o Carl Lewis. O americano também foi ao lugar mais alto do pódio nove vezes, mas quatro foram pelo salto em distância entre 1984 e 1996.

Para a decisão, a Jamaica contou com o reforço de Usain Bolt e Yohan Blake. Mas não foi só a equipe da ilha do Caribe que entrou mais forte na final. Os Estados Unidos escalaram Mike Rodgers, Justin Gatlin, Tyson Gay e Trayvon Bromell, que acabaram surpreendidos pelos japoneses. Com o tempo 37s27, a equipe jamaicana faturou a medalha de ouro. O Japão (37s60) "roubou" a prata dos americanos (37s62), que tiveram de se contentar com o bronze. O Brasil - formado por Ricardo de Souza, Vitor Hugo dos Santos, Bruno de Barros e Jorge Vides - ficou em oitavo e último lugar ao anotar 38s41. 

Após a prova, a equipe norte-americana foi desclassificada e, com isso perdeu a medalha de bronze. Em uma das três trocas de bastão, a equipe dos Estados Unidos ultrapassou a área determinada. O Canadá, que havia ficado em quarto, herdou o bronze. Como a equipe de Trinidad Tobago, que havia terminado em sétimo, também foi eliminada, o Brasil herdou a sexta colocação na final disputada no Engenhã na noite desta sexta-feira.

Pela primeira vez na Olimpíada, Bolt não foi o mais aplaudido ao entrar no estádio para uma prova. A presença da equipe brasileira no revezamento roubou a preferência do público, como era de se esperar. Isso se repetiu quando os times foram anunciados na raia quatro e o Brasil, na dois. No fim da prova, ele olhou de lado para conferir o tempo, mas não sorriu. De novo, mostrou o rosto tenso.

Bolt é uma estrela individual, mas sabe jogar em equipe. Logo após a chegada, ele foi imediatamente para a arquibancada, mas fez questão de voltar e cumprimentar inicialmente Asafa Powell e depois os outros companheiros. Só começou a festa quando chegaram os quatro jamaicanos. Aí, foi tudo feito pelos quatro, até a dança, em conjunto. A torcida brasileira se rendeu, nem lamentou a performance brasileira, e saudou não apenas um, mas todos os jamaicanos campeões. 

Na eliminatória, a Jamaica tinha ficado devendo. O quarteto, formado por Jevaughn Minzie, Asafa Powell, Nickel Ashmeade e Kemar Bailey-Cole, foi superado pelos japoneses na segunda bateria e terminou em 5º lugar geral, com o tempo 37s94. Mesmo sem Justin Gatlin, a equipe dos Estados Unidos foi a mais rápida (37s65). Foi o melhor desempenho das duas potências na temporada. O Brasil também havia avançado com a última posição.

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