Reprodução|Facebook
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Brasil abre mão de vaga no tiro feminino por falta de atletas

Ninguém do País atingiu índice para entrar na seleção nos Jogos

Demétrio Vecchioli, Estadão Conteúdo

17 Março 2016 | 16h11

O Brasil não vai participar de duas provas femininas do tiro esportivo nos Jogos Olímpicos do Rio por falta de atletas. A Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE) recebeu convite para participar da prova de pistola de ar 10m, mas, sem nenhuma atiradora na seleção, conseguiu que a federação internacional (ISSF, na sigla em inglês) aceitasse trocar o convite.

"Os atletas vêm desde 2013 participando de um ranqueamento interno para a decisão de quem vai aos Jogos Olímpicos. E o distanciamento de alguns atletas ficou muito grande em relação a outros. Tem atletas com 25 mil pontos e outros com quatro mil pontos", explica Ricardo Brenck, secretário-geral da CBTE.

A entidade adotou um índice técnico que permite comparar os resultados obtidos em provas diferentes. E o desempenho das atletas femininas de carabina e pistola ficou muito abaixo dos demais, tanto que nenhuma delas atingiu sequer o índice para entrar na seleção brasileira.

Além disso, para cada prova do Rio-2016 a ISSF exige um MQS (pontuação mínima de classificação, em inglês). Raquel Silveira até tem o MQS na pistola de ar 10m, mas ela não poderia ser inscrita na outra prova feminina da disciplina, que é a pistola 25m. "Imagina uma Olimpíada onde qualquer atleta pode participar de duas ou três provas, desde que tenha o MQS, e a gente abre mão para ter uma participação em uma prova só", argumenta Brenck.

De acordo com ele, a ISSF permite que o país-sede faça uma troca na lista de nove convites recebidos para os Jogos e a CBTE preferiu não deixar passar a oportunidade. Já oficializou que não quer a credencial na carabina e pistola feminina, mas ainda não decidiu que vaga deseja em troca. São dois candidatos. Um é Julio Almeida, que tem o MQS para duas provas: pistola 50m e pistola de ar 10m. Ele ganhou ouro na primeira no Pan de Toronto e comemorou a vaga olímpica, que depois lhe foi negada porque ele não fez o MQS naquele dia. Agora, volta a sonhar com o Rio-2016.

O outro candidato é Bruno Heck, que poderia competir nas três provas de carabina: de ar, deitado e três posições. No Pan de Toronto ele fez um quarto e dois quintos lugares, mas ficou sem a vaga olímpica.

A comissão técnica da CBTE vai avaliar o desempenho dos dois na Copa do Mundo, que vai acontecer em abril, no Rio, como evento-teste de Deodoro, para decidir qual dos dois fica com o convite. Apesar do ouro de Felipe Wu na etapa de Bangcoc (Tailândia) da Copa do Mundo, dia 5, na pistola de ar 10m, a CBTE trata a possibilidade de o Brasil ganhar medalha na Olimpíada como "grata surpresa". A meta é colocar dois atletas entre os oito primeiros de suas respectivas provas. Um seria Wu. O outro, Cassio Rippel, que já fez quatro finais de Copa do Mundo na carabina deitado e também ganhou ouro em Toronto.

Rippel e Wu garantiram vaga nominal Rio-2016 pelo resultado de Toronto e têm, cada um, MQS para mais uma prova. Os convites que restaram serão também definidos no evento-teste. Emerson Duarte, 34.º do ranking mundial, deve ser confirmado na pistola de tiro rápido 25m, enquanto Rosane Ewald e Cristina Baptista concorrem na carabina de ar feminina.

Nas provas de tiro ao prato, a CBTE já definiu os convocados para usufruírem dos convites: Roberto Schmits, Janice Gil Teixeira (fossa olímpica), Daniela Matarazzo Carraro e Renato Portela (skeet). Como as provas de tiro ao prato são muito distintas entre si, cada um tem MQS apenas para a prova na qual é especialista.

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