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Brasil faz campanha para conter pressão de cientistas contra o Rio

Itamaraty envia telegrama a 190 missões diplomáticas

JAMIL CHADE - CORRESPONDENTE EM GENEBRA, O ESTADO DE S.PAULO

29 de maio de 2016 | 07h21

O governo interino de Michel Temer lançou uma campanha internacional para tentar conter a pressão pelo cancelamento dos Jogos Olímpicos por conta do vírus zika. O Estado apurou que o Itamaraty enviou comunicado aos governos e, nos próximos dias, o Ministério da Saúde vai agir com diplomatas estrangeiros, jornais de todo o mundo, agências e entidades internacionais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) garantiu que não existe justificativa para adiar a Olimpíada e que tal proposta não iria interromper a proliferação do vírus.

Na sexta-feira, 150 cientistas emitiram carta à OMS solicitando que os Jogos do Rio sejam adiados. Foi a terceira vez que cientistas fizeram um apelo deste tipo, o que começa a preocupar as autoridades brasileiras e o COI. Para os cientistas, a OMS tem conflito de interesse ao ser parceira do COI e apontam que realizar o evento representa um “risco desnecessário para 500 mil pessoas”. 

Assim que a declaração foi emitida, diplomatas brasileiros foram mobilizados para conter a pressão dos cientistas. No sábado pela manhã, os diplomatas foram chamados para responder aos apelos e pressionar governos a não modificar sua posição de apoio ao Rio.

O Itamaraty ainda usou a Assembleia Mundial da Saúde, que terminou sábado em Genebra, para enviar um telegrama as missões diplomáticas de mais de 190 países explicando que, em agosto, a densidade populacional de mosquitos no Rio é menor e que os casos de dengue sofrem retração. Junto com a explicação, a ação diplomática incluiu um gráfico apontando queda nos registros de dengue durante o inverno.

Convencer governos e a OMS a não mudar sua recomendação sobre viagens ao Brasil é um ponto estratégico para o governo Temer. Isso porque o COI usa a versão da agência da ONU como escudo para dizer que está seguindo orientações científicas ao manter os Jogos no Rio. 

Nos próximos dias, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, ainda irá agir ao lado do Itamaraty para convocar embaixadores estrangeiros em Brasília para explicar a situação do zika no País e apontar para o fato de que os riscos no Rio serão “baixos”. 

Outra medida será a de buscar os correspondentes de grandes jornais estrangeiros para explicar o que está sendo feito para minimizar o impacto. O Ministério da Saúde também fará um trabalho com agências de viagens e em sites oficiais. 

Na semana passada, Barros já esteve em Genebra e Lausanne para levar garantias do governo de Michel Temer de que as autoridades estão comprometidas a agir para reduzir a densidade de mosquitos nos locais de provas e na Vila Olímpica. 

Aos especialistas médicos do COI, ele também trouxe garantias da parte de Temer de que as iniciativas necessárias iriam ser realizadas e que o uso de 3,5 mil pessoas para reforçar o controle ao mosquito nos locais das provas já estava ocorrendo.

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