Capítulo 02

Brasil larga bem no Pan de Lima, mas foco tem de estar em Tóquio

História mostra que ser grande apenas dentro da América não é suficiente

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2019 | 10h30

Caro leitor,

Nesta segunda coluna da nossa caminhada até os Jogos Olímpicos de Tóquio, vamos abordar o desempenho da equipe brasileira na primeira semana de disputas dos Jogos Pan-Americanos de Lima, competição fundamental na preparação dos atletas do País rumo ao Japão. Até aqui, os resultados estão até acima do esperado, com raras exceções. Ou seja, o Brasil está consolidado como grande força do continente.

Em Lima, a história brasileira é dourada. Até o momento, o Brasil ocupa a quarta colocação no quadro de medalhas e são reais as chances de o Brasil subir para a segunda posição geral. Essa, inclusive, é a meta do COB (Comitê Olímpico do Brasil). No Pan de 1963, o Brasil ficou na vice-liderança, atrás apenas dos Estados Unidos, mas naquela oportunidade o evento foi realizado em São Paulo. Em 2007, novamente em casa, desta vez no Rio, os atletas nacionais conquistaram 52 medalhas de ouro e 157 pódios, um recorde histórico, mas o País acabou na terceira posição no quadro de medalhas.

O que pode facilitar a vida do Time Brasil nesta missão no Peru é a queda de rendimento do Canadá. Os primeiros dias de disputas em Lima foram ruins para os canadenses. Assim, o México assumiu a segunda posição, atrás dos Estados Unidos. O Canadá é o terceiro, com o Brasil na cola.

É bem verdade que o Brasil poderia estar um pouco melhor se Arthur Zanetti, um dos campeões olímpicos que foram a Lima, fizesse aquilo que todos esperavam dele. O ginasta colocou no bolso o ouro no concurso geral por equipes, mas acabou falhando nas argolas, justamente a sua especialidade (foi campeão olímpico em Londres-2012 e prata no Rio-2016). Mesmo assim, o Brasil conseguiu a sua melhor campanha da história na modalidade.

A canoagem de velocidade acabou ficando aquém do esperado. Se em Toronto-2015 o Brasil ganhou nove medalhas, em Lima o País subiu apenas três vezes no pódio. No C2 1.000m, a medalha que era dada como certa não veio porque Erlon Souza teve um mal súbito e desmaiou sobre a canoa.

É preciso destacar os bons resultados, com ênfase para o salto de patamar dado pelo tae kwon do. O Brasil faturou sete medalhas em Lima, sendo duas de ouro. Foi o melhor resultado já obtido pelo País no Pan, graças ao poder de superação da equipe brasileira, como o caso de Icaro Miguel, medalha de prata mesmo com apenas cerca de 20% de visão no lado direito.

O mesmo vale para o triatlo, como o Estadão noticiou. Luisa Baptista levou o ouro e a prata foi para a compatriota Vittoria Lopes. O resultado marcou a presença brasileira no pódio nesta modalidade após um jejum que vinha desde o Pan de 2011, em Guadalajara.

Os próximos dias reservam outras medalhas aos atletas brasileiros com o início das provas de natação, atletismo e judô em Lima. São modalidades consideradas nobres no programa olímpico e nas quais o Brasil deve conquistar pódios fundamentais para que a meta do COB de alcançar a segunda posição no quadro geral seja cumprida.

Muitos pódios virão, mas a torcida brasileira não deve se empolgar tanto assim. O principal objetivo do País tem de ser classificar o maior número de atletas e modalidades para os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020. O problema é quando o Time Brasil for medir forças com as principais nações do mundo na Olimpíada, evento no qual o País nunca conseguiu ficar entre os dez primeiros colocados no quadro de medalhas. A história mostra que ser grande apenas dentro da América não é suficiente. /COM PAULO FAVERO

Raphael Ramos

Raphael Ramos

Chefe de reportagem

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