Brasil pega os 'fregueses' argentinos em busca do ouro

Com vantagem no retrospecto recente, brasileiros lutarão contra os atuais campeões olímpicos

Almir Leite, enviado especial - O Estado de S. Paulo

18 de agosto de 2008 | 15h30

Até agora, a proposta da seleção brasileira de valorizar a posse de bola, mesmo que isso signifique número alto de toques laterais e sem objetividade, deu certo na Olimpíada de Pequim. Nos quatro primeiros jogos, foram quatro vitórias, 11 gols marcados e nenhum sofrido. Nesta terça-feira, a partir das 10 horas (de Brasília), contra a Argentina, porém, o time de Dunga provavelmente vai se defrontar com uma realidade diferente. Terá pela frente um adversário que costuma atacar bastante e que marca a saída de bola. Vai ser, no mínimo, um teste interessante os brasileiros. E o estadao.com.br fará o acompanhamento online do confronto.   Veja também:Faça a sua aposta no Bolão Vip do Limão   Ficar com a bola no pé tem sido a característica mais forte da seleção nos Jogos. Na estréia contra a Bélgica, 67% de posse e vitória por 1 a 0; contra a Nova Zelândia, 5 a 0 e 66%. O índice aumentou contra a China (68% e 3 a 0). Contra Camarões, o pior aproveitamento, 63% no triunfo por 2 a 0 na prorrogação.   Já os rivais portenhos não têm tanta preocupação em ter a bola em seu poder: foram 43% nos 2 a 1 sobre a Costa do Marfim; 64% no 1 a 0 contra a Austrália; 60% nos 2 a 0 em cima da Sérvia; e 56% nos 2 a 1 sobre a Holanda.   Dunga credita a fatores como o calor e o estado ruim dos gramados, que impede o jogo de fluir com maior qualidade, a opção por tal estilo. Além disso, diz, ninguém ousa jogar aberto contra o Brasil. Mas é claro que há também a intenção de, acima de tudo, não correr riscos, reduzindo as chances dos adversários de atacar.   SITUAÇÃO DO GRAMADO  Por causa dessa forma de jogar, a seleção tem sido vaiada. Dunga não se importa. "Quando jogarem abertos contra o Brasil, vamos jogar bonito’’, rebate. "E com campos como esses, temos de valorizar a posse de bola.’’   Campo ruim vai continuar sendo problema, já que o gramado do Estádio dos Trabalhadores tem sido criticado por todas as equipes que lá jogam. O desafio desta terça-feira será outro: ao contrário de outras seleções, que se fecham atrás e ficam observando placidamente o Brasil tocar bola na defesa, a Argentina gosta de atacar. Nos seus quatro jogos, apesar de ter feito apenas 7 gols, concluiu 37 vezes contra o gol dos rivais. O Brasil é mais eficiente, com 10 gols, mas tem menos conclusões: 31.   Outra característica argentina que pode dar trabalho à equipe de Dunga: deve marcar sob pressão a saída de bola dos brasileiros. A expectativa, se isso ocorrer, vai ser sobre como a seleção vai se comportar, principalmente os defensores e volantes, sem espaço e pressionados.   Dunga também pode mudar o estilo de jogo da seleção, mas não tem dado indícios de que fará isso. Já o volante Anderson não crê que a Argentina vá ser mesmo ofensiva. E diz o motivo: "Como todas as seleções, a Argentina tem medo do Brasil’’.   E o medo deve ser ainda maior quando os argentinos analisarem os últimos confrontos. O Brasil venceu a Argentina na final das duas últimas edições da Copa América (2004 e 2007).  

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.