Fábio Motta|Estadão
Fábio Motta|Estadão

Brasil perde nos pênaltis e fica fora da final do futebol feminino

Seleção brasileira fica no 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação e cai diante da Suécia

Ciro Campos, enviado especial ao Rio, O Estadio de S.Paulo

16 de agosto de 2016 | 16h09

A Suécia protagonizou uma espécie de Maracanazo em menores proporções nesta terça-feira, pelas semifinais do torneio de futebol feminino dos Jogos do Rio. A equipe europeia se defendeu durante o tempo normal e mais a prorrogação para não levar gols, empatar em 0 a  0 e derrubar o Brasil nos pênaltis por 4 a 3. A eliminação das donas da casa, as favoritas, frustrou mais uma vez o projeto do inédito ouro olímpico.

Assim como naquele Brasil x Uruguai em 1950, o estádio do Maracanã estava lotado. De um lado a imensa torcida de verde e amarelo confiava no talento de Marta e no retrospecto recente contra a Suécia. Afinal, há dez dias a vitória havia sido por 5 a 1. Porém, dessa vez a defesa sueca trabalhou muito bem, principalmente a goleira Lindhal, que nos pênaltis defendeu as cobranças de Cristiane e Andressinha.

Marta acertou o seu chute nas cobranças decisivas, assim como a goleira Bárbara novamente fez ótima defesa no chute de Asllani. Mas foi pouco diante da determinação e paciência de adversárias que durante 120 minutos se seguraram atrás para esperar a chance de cobrar pênaltis. Restará o Brasil disputar o bronze, na sexta-feira, em São Paulo, e se contentar em ficar longe da oportunidade de disputar a terceira final olímpica.

Da fria Suécia veio a típica catimba sul-americana. Demora para bater tiro de metas, atrasos para cobranças de laterais e uma postura defensiva sem vergonha alguma de demonstrar medo fez o time europeu conseguir segurar mais de 120 minutos de pressão, ajudado pelos erros e nervosismo do Brasil.

Dez dias após o Brasil golear a Suécia por 5 a 1 no Engenhão, pela fase de grupos, as equipes se encontraram sob condições bem diferentes. A equipe da casa não fez mais gols no torneio desde então, enquanto as adversárias chegaram à semifinal como zebra. A receita delas para buscar a decisão foi a mesma da usada contra as americanas, atuais campeãs mundiais: jogar na defesa com a esperança de levar aos pênaltis.

O futebol olímpico estreou no Maracanã em tarde de sol, calor e ótima presença da torcida. As imensas filas do lado de fora adiaram a entrada do público. Muitos chegaram ao estádio quando o Brasil já iniciava a longa batalha contra a retranca sueca, posicionada em um 4-5-1 obediente ao extremo. Nem mesmo quando tinha chance de atacar a equipe abria mão do esquema.

Ao Brasil restava a paciência de explorar uma brecha. Marta, com o nome gritado pelo estádio, era a mais acionada pela direita. Quando a opção ficou óbvia e marcada demais, era a vez de explorar a esquerda. A alternância de lados seria uma opção produtiva se tivesse uma atacante centralizada capaz de finalizar ao gol. Sem Cristiane, ficou difícil. Ainda assim a equipe da casa chegou com perigo duas vezes com Debinha e quase marcou graças a um gol contra.

Os sustos vinham no ataque, mas também na defesa. O time avançava demais e deu à Suecia espaços para dar trabalho. A goleira Bárbara deu a bola de presenta para o ataque sueco e quase complicou a situação. O passar do tempo era prejudicial somente para o Brasil, pela expectativa e ansiedade de um estádio lotado, mas que não exercia tamanha pressão. A torcida no Maracanã foi mais uma apreciadora silenciosa do jogo do que atuante na briga por vaga na final.  

No segundo tempo o calor e o cansaço a partida cair. Marta pouco apareceu e sem ela, o time dominou sem ameaçar. O jogo ficou monótono e parte da torcida até se desligou do gramado para protestar contra o presidente em exercício, Michel Temer, e para pedir a entrada de Cristiane, em recuperação de lesão.

O apelo só foi atendido para o começo da prorrogação. A forma abaixo do ideal dela, somada ao cansaço do Brasil pelo segundo jogo seguido no tempo-extra não alteraram o panorama do jogo. Foi a Suécia quem criou mais lances de perigo, antes de Marta perder uma chance nos acréscimos e do apito decretar a ida aos pênaltis.

A torcida já tinha começado a gritar o tradicional "eu acredito" quando as cobranças começaram. As suecas demonstraram mais tranquilidade, ao deslocar a goleira Bárbara na maioria dos chutes. O desfecho ficou para Dahlkvist, que converteu e silenciou de vez o Maracanã.

BRASIL X SUÉCIA

BRASIL: Bárbara; Poliana, Mônica, Rafaelle e Tamires; Thaisa (Andressinha), Formiga, Andressa Alves, Marta e Debinha (Cristiane); Beatriz (Raquel Fernandes). Técnico: Vadão.

SUÉCIA: Lindahl; Samuelsson (Berglund), Fischer, Sembrant e Rubensson; Dahlkvist, Seger, Appelqvist (Schough), Asllani e Schelin; Blackstenius (Jakobsson). Técnica: Pia Sundhage

Árbitra: Lucila Venegas (México)

Pênaltis: Suécia 4 (Schelin, Seger, Fischer e Dahlkvist), Brasil 3 (Marta, Andressa Alves e Rafaelle)

Cartões amarelos: Beatriz, Andressa Alves, Jakobsson, Formiga, Dahlkvist

Renda e público: não divulgados.

Local: Maracanã, no Rio de Janeiro.

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