Pawel Kopczynski/Reuters
Pawel Kopczynski/Reuters

Brasil sai satisfeito dos Jogos de Inverno e vê evolução em modalidades

Ausência de medalhas já era esperada e trabalho de longo prazo projeta crescimento para os próximos ciclos na neve

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2018 | 07h00

Com os menores recursos entre as confederações olímpicas brasileiras, as entidades que cuidam do esportes de gelo (CBDG) e neve (CBDN) realizam um projeto de médio e longo prazos para tornar as modalidades dos Jogos de Inverno mais populares e os atletas mais competitivos internacionalmente. A ausência de medalhas na Olimpíada de Pyeongchang, que terminou neste domingo na Coreia do Sul, já era esperada.

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Para Jorge Bichara, gerente geral de alto rendimento do COB (Comitê Olímpico do Brasil), os resultados foram dentro da expectativa, diante do nível técnico que o Brasil possui nos esportes de inverno. “Nosso objetivo em participar dos Jogos de Inverno é buscar a melhor representatividade possível do País no evento. Neste contexto, o Brasil alcançou seu objetivo diante da classificação da terceira maior delegação de um pais das Américas no evento, ficando apenas atrás delegações dos EUA e do Canadá.”

No último ciclo olímpico, as confederações de neve e gelo receberam pouco mais de R$ 8 milhões cada da Lei Agnelo/Piva. O investimento foi distribuído entre todas as modalidades, desde categorias de base até para o treinamento de atletas de elite, e também utilizado para organizar competições nacionais e garantir o intercâmbio com os países que possuem infraestrutura para a prática das modalidades.

Na CBDN, por exemplo, em 2015 foi feito um planejamento estratégico baseado em alguns pilares importantes, como gestão profissional, boas práticas de governança, ciência do esporte e o talento dos atletas. A intenção é desenvolver as modalidades de neve no Brasil em três ciclos, ou seja, até 2026.

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“O ciclo dos Jogos de Pyeongchang foi o primeiro dentro desse planejamento. O principal objetivo foi o desenvolvimento da base, com consolidação da posição do Brasil no ranking continental das modalidades, em especial na categoria júnior. O balanço é positivo. Além da diminuição da média de idade dos praticantes, o Brasil teve 24 atletas que alcançaram o critério técnico de classificação para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, contra 13 no ciclo anterior”, explica Pedro Cavazzoni, CEO da CBDN.

Para a CBDG, que teve bons resultados em Pyeongchang na patinação artística (primeira vez que o Brasil chega à final, com o 24.º lugar de Isadora Williams) e no quarteto do bobsled (23.ª colocação), o último ciclo foi bem proveitoso, com a primeira medalha de ouro da história do Brasil na patinação, quando Isadora venceu o Troféu Sofia, na Bulgária, no ano passado, e com a 17.ª posição do bobsled nacional no ranking mundial, também em 2017.

Outro ponto é que os atletas das duas confederações fazem parte do programa Bolsa Atleta. Na CBDN, 25 pessoas foram contempladas enquanto na CBDG a bolsa alcançou seis atletas. A tendência é que, com a popularização das modalidades de inverno, mais competidores façam parte do programa e possam se dedicar com mais tranquilidade às modalidade.

CRIATIVIDADE

Para tentar ampliar as receitas, a CBDN lançou o Snow Club, primeiro programa de benefícios para associados de confederações olímpicas do Brasil. A CBDG também aposta na modernização e criou a marca Ice Brasil, a fim de reforçar sua identidade visual.

Além disso, a inserção dos países tropicais nos esportes de inverno faz parte de um planejamento do Comitê Olímpico Internacional para aumentar a quantidade de países nos Jogos. Tanto que a edição deste ano teve recorde de nações participantes e em 2022, em Pequim, esse número deve aumentar.

Como possibilita lindas imagens, os esportes de inverno também chamam muita atenção. A Disney Pixar, por exemplo, vai abordar essa temática no filme Os Incríveis 2. Os atletas são homenageados na produção, que será lançada em 28 de junho, com a abordagem de diferentes modalidades como curling e snowboard.

De qualquer maneira, o COB pretende fazer reuniões técnicas com as Confederações de Gelo e Neve para avaliação do desempenho dos atletas e para planificar ações visando à próxima edição dos Jogos de Inverno. A medalha, por enquanto, é um sonho distante. “Para se chegar a essa medalha durante a competição temos que obrigatoriamente passar as fases classificatórias e alcançar as finais. E isso o Brasil alcançou em Pyeongchang. Por isso estamos satisfeitos com as etapas alcançadas neste evento”, concluiu Jorge Bichara.

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País desenvolve projeto para entrar firme no curling

Brasil tem bom número de atletas na modalidade, um campeonato nacional e planeja a construção de uma arena específica

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2018 | 07h00

Um dos esportes que mais chamam a atenção do público nos Jogos Olímpicos de Inverno e, aparentemente, mais fáceis de serem praticados no Brasil, o curling nunca teve representantes do País na competição. Dentre os motivos estão a ausência de pistas de gelo e a própria seletiva, que reserva apenas duas vagas para as Américas – que devem ser disputadas com o Canadá, potência na modalidade, e Estados Unidos. Mas o Brasil já tem um número razoável de atletas de curling, um campeonato brasileiro da modalidade e até mesmo o projeto para a construção de arena própria.

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Por ora, a arena brasileira de curling ainda está na fase mais difícil: a de captação de parceiros para viabilizar o projeto. “Estamos muito focados em realizar este sonho. Ainda não é possível dizer uma data específica, mas temos total interesse que este projeto se configure”, diz Tiago Wisnevski, gerente de Projetos da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG). “Ter uma arena de curling no Brasil seria um gigantesco passo para o esporte no País, pois aumentaria nosso número de atletas e nos tornaria mais competitivos.”

A CBDG não divulga valores, alegando que tudo depende do tamanho do empreendimento, do número de pistas e do modo como o projeto seria viabilizado. O que é certo é que demandaria um gasto considerável com energia elétrica, pois é necessário manter as pistas constantemente refrigeradas.

Apesar de aparentemente prosaico, o equipamento para a disputa também não é exatamente barato. Um conjunto com 16 pedras de curling custa aproximadamente US$ 20 mil (R$ 64,7 mil), já que o material utilizado é bem específico: as pedras de granito usadas nas principais competições são retiradas, por tradição, de uma pequena ilha escocesa. O atleta, por sua vez, precisa desembolsar US$ 150 (R$ 485) para adquirir a famosa vassourinha e outros US$ 130 (R$ 420) por um calçado com sola de teflon, próprio para a pista.

TIPO EXPORTAÇÃO

Enquanto não consegue viabilizar a modalidade no Brasil, a CBDG organiza o Campeonato Brasileiro da modalidade no Canadá, onde mora a maioria dos praticantes. “A CBDG possui 43 atletas cadastrados que atualmente jogam curling em bom rendimento”, conta Wisnevski. “O interesse do brasileiro é muito grande. Todas as clínicas que fizemos no exterior contaram com aproximadamente 150 brasileiros interessados em jogar.”

Mesmo que o País ainda esteja longe de conseguir mandar um time para campeonatos mundiais ou Jogos de Inverno, a CBDG já comemora a participação em competições para duplas, formadas por uma mulher e um homem. “Nas duplas estamos ano a ano participando dos Mundiais, e é possível observar uma crescente melhora nas equipes brasileiras”, pondera o dirigente.

Wisnevski lembra ainda que a disputa em duplas é propícia para desenvolver o esporte no Brasil. O argumento é que se trata de um esporte que permite a participação de atletas “mais longevos”, o que facilita, por exemplo, que as duplas sejam formadas por pais e filhos, transformando o esporte em uma prática de família.

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