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Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

02 Outubro 2016 | 05h00

O planejamento para o próximo ciclo olímpico já começou, e as primeiras iniciativas apontam um panorama para Tóquio-2020 bem diferente do cenário encontrado nos últimos quatro anos. Após os Jogos do Rio, muitas modalidades iniciaram um processo de reestruturação e o que se vê até agora é um êxodo dos técnicos estrangeiros. 

Após a decepcionante campanha da seleção masculina de basquete, o argentino Rubén Magnano não teve seu contrato, válido até 31 de agosto, renovado pela Confederação Brasileira. O nome do próximo técnico ficará a cargo do sucessor do presidente Carlos Nunes, já que as eleições estão marcadas para março de 2017. Já o espanhol Jordi Ribera encerrou sua segunda passagem pela seleção masculina de handebol depois de receber convite para comandar o time nacional de seu país. 

A canoagem slalom brasileira também perdeu o italiano Ettore Ivaldi, que estava no Brasil desde 2011 ensinando os macetes da modalidade. Segundo a Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa), o esporte iniciou a transição para "uma nova realidade econômica e estrutural" e passará a investir em treinadores nacionais. O russo Alexander Alexandrov, da ginástica artística feminina, foi outro líder que se despediu do País.

O Comitê Olímpico do Brasil vê como "natural" uma reavaliação dos trabalhos e explica que diversos contratos chegaram ao fim após os Jogos do Rio. Segundo Jorge Bichara, gerente-geral de Performance Esportiva do COB, a avaliação do desempenho dos técnicos estrangeiros é "extremamente" positiva. "Trouxemos ao Brasil alguns dos melhores treinadores do mundo para orientar o desenvolvimento das modalidades olímpicas e os resultados foram satisfatórios", disse. "Ao longo do ciclo, contamos inúmeros exemplos de resultados inéditos que tiveram a fundamental participação destes profissionais de fora do País. Além disso, eles puderam disseminar entre a comunidade esportiva seus conhecimentos, o que fez com que os profissionais brasileiros também evoluíssem."

O polo aquático é outra modalidade que busca um novo 'professor'. O croata Ratko Rudic, que foi indicado pelo COB como melhor técnico de 2015 ao lado de Leandro "Brachola" Andreão, do vôlei de praia, deixou o comando da seleção masculina. "A ideia é ter o Rudic agora como supervisor técnico e consultor", explica Ricardo Cabral, gerente de polo aquático da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA). Depois de uma grande evolução da modalidade no cenário internacional, o plano é dar sequência ao intercâmbio. Para o seu lugar, por exemplo, Rudic indicou um compatriota. 

No hipismo, a solução caseira é provisória. "O contrato de George Morris terminava na Olimpíada e, no momento, a equipe de saltos não tem um técnico definido. Caio Carvalho é o coordenador da modalidade e contamos com ele para ser chefe de equipe em diversas situações. Na última disputa, em Calgary, a chefe de equipe foi a Lucia Alegria Simões. Enquanto não definimos, contamos com os melhores dentro de casa", explica Luiz Roberto Giugni, presidente da Confederação Brasileira de Hipismo (CBH).

Com a entrada de cinco modalidades no programa olímpico – surfe, skate, beisebol, escalada e caratê –, novos projetos serão integrados para Tóquio-2020.

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Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

02 Outubro 2016 | 05h00

Enquanto diversas modalidades discutem a troca de comando para o próximo ciclo olímpico, a Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) já definiu o sucessor do espanhol Jordi Ribera na seleção masculina: Washington Nunes. O novo treinador, que atuou como assistente técnico da equipe nacional entre 2013 e 2016, tem a chance de dar continuidade ao trabalho do estrangeiro e destaca a capacitação dos brasileiros após o intercâmbio. 

"A gente tem um grupo de treinadores qualificados, o apoio que tivemos dos estrangeiros foi fundamental, aprendemos bastante e acredito que a gente tenha bastante competência para colocar tudo isso em prática agora", afirma. 

A seleção masculina, que conseguiu a inédita classificação para as quartas de final nos Jogos do Rio, tem um importante compromisso pela frente. De 11 a 29 de janeiro de 2017, disputará o Mundial de Handebol, na França. "Nesse momento, não pensamos em buscar um técnico estrangeiro. Estamos no meio das atividades, seria uma precipitação. A gente trabalha com projetos a médio e longo prazos. O Washington tem grandes possibilidades de levar essa tarefa com êxito", diz o presidente Manoel Luiz Oliveira. 

O dirigente reconhece a importância da troca de experiências para o desenvolvimento da modalidade no País, mas ressalta que agora "não teria escolha mais oportuna do que efetivar o professor Washington".

O contrato do treinador com a seleção masculina termina no dia 31 de janeiro de 2017. Uma reunião no término desse prazo está programada para avaliar se ele permanecerá no comando. "Pode ser que a gente estenda o vínculo para o ciclo olímpico inteiro, até 2020, ou pode ser que entenda que ainda há a necessidade de um treinador estrangeiro", explica Nunes.

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Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

02 Outubro 2016 | 05h00

Eu estou no Brasil há quase 12 anos, tenho um ótimo relacionamento com os técnicos brasileiros. Acabei de chegar de João Pessoa, conversei muito com os treinadores nos Jogos Escolares e também costumo bater papo com técnicos que têm times que jogam a Liga Nacional, são eles que estão formando os novos talentos para a seleção adulta. Vejo esse contato como fundamental para nossa continuação de trabalho juntos.

Para o handebol feminino, existem vários talentos atuando aqui no Brasil, como tem várias atletas que já foram para a Europa. Nos Jogos Escolares, vi muitas meninas com potencial. Um pouco jovens para 2020, mas talvez sejam interessantes para 2024. Além disso, grande parte das meninas que acabaram de atuar na Olimpíada tem idade para mais um ciclo e algumas para até dois. O Brasil tem potencial para se manter entre as melhores do mundo. 

Cada Confederação que vai decidir se quer trabalhar com estrangeiro ou com brasileiro, se bate com a filosofia, com a cultura, e vai escolher um técnico que possa ser compatível com o que ela esteja procurando. O que vi na Olimpíada é que tem técnicos estrangeiros trabalhando em qualquer parte do planeta, o que eu achava muito interessante também. Americanos, cubanos, canadenses, argentinos, europeus, australianos e asiáticos com diferentes estilos. É importante saber o que cada Confederação pensa e qual tipo de treinador bate com os seus atletas. 

Eu sempre gostei do Brasil, acho que me adaptei fácil com o povo brasileiro. Adoro trabalhar aqui. No começo, em 2005, o maior desafio foi a língua. Já caímos de rir porque não entenderam o que eu falei, o que saiu da minha boca não tinha sido bem expressado. A língua portuguesa é uma das dificuldades no início para qualquer técnico estrangeiro.

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