Gaspar Nóbrega/COB
Gaspar Nóbrega/COB

Brasil tem tudo para fazer história na Olimpíada de Tóquio

Poderemos testemunhar a melhor campanha do País em Jogos Olímpicos

Marcelo Laguna, O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2021 | 05h00

Os Jogos de Tóquio podem marcar a melhor campanha olímpica brasileira. Parece incrível, muita gente chegou a duvidar que aconteceria. Mas a Olimpíada, que terá sua abertura oficial nesta sexta-feira, já começa histórica desde a largada.

Nem o mais pessimista dos mortais poderia prever que uma pandemia, que praticamente parou o mundo, iria adiar por um ano a festa olímpica que os japoneses tanto comemoraram ao conquistar o direito de organizá-la, lá em 2013.

Poucos também poderiam prever, embora seja compreensível, que uma parcela considerável da população local fosse favorável ao cancelamento dos Jogos. Nem o simbólico revezamento da tocha olímpica escapou ileso deste sentimento de rejeição, com muitos trechos cancelados, feitos sem público ou em locais fechados.

E será esta Olimpíada cheia de protocolos, da máscara obrigatória e do distanciamento social que tem tudo para ficar marcada na história do esporte olímpico brasileiro. Pois é possível que no próximo dia 8 de agosto, data de encerramento de Tóquio-2020, tenhamos testemunhado a melhor campanha do País em Jogos Olímpicos em termos de medalhas conquistadas. O patamar de 19 medalhas, atingido há cinco anos, na Rio-2016, tem boas chances de ser superado, mesmo que por diferença mínima.

As previsões de institutos de estatística e de publicações especializadas indicam que o Time Brasil alcançará em Tóquio a marca de 20 medalhas. O que seria excelente, considerando todos os problemas que o esporte brasileiro enfrentou nos últimos 16 meses, quando a pandemia começou. Os atletas sofreram por não encontrar condições para seguir com os treinamentos, além de complicações para os que acabaram contaminados pela covid-19. A grande maioria pegou a doença na forma leve, mas casos como os de Bruno Schmidt, jogador do vôlei de praia, e do técnico da seleção brasileira masculina de vôlei, Renan Dal Zotto, que ficaram na UTI e correram risco de morte, mostram que foram tempos complicados.

Ainda assim, o COB (Comitê Olímpico do Brasil) já conseguiu bater o seu primeiro recorde ao enviar a maior delegação do país para uma edição olímpica no exterior, com 302 atletas. Sem contar obviamente a Olimpíada passada, disputada em solo nacional e que teve 465 representantes, a maior equipe nacional enviada para os Jogos havia sido em Pequim-2008, com 277 competidores.

Para superar sua segunda meta, a de mais medalhas conquistadas, o Brasil terá um reforço de dois estreantes no programa olímpico, o surfe e o skate, com estrelas como Gabriel Medina e Ítalo Ferreira, no surfe, e Letícia Bufoni, Pâmela Rosa, Rayssa Leal, Pedro Barros, Luiz Francisco e Kelvin Hoefler (skate). Dificilmente essa turma voltará para casa de mãos vazias.

Temos outros fortes candidatos a medalha. Ana Marcela Cunha (maratona aquática), Bia Ferreira (boxe), Isaquias Queiroz (canoagem velocidade), Ana Sátila (canoagem slalom) Martine Grael e Kahena Kunze (vela), Darlan Romani e Alison dos Santos (atletismo), Rafael Silva e Mayra Aguiar (judô), além das duplas de vôlei de praia e as seleções de vôlei e futebol. Isso para não falar em alguma medalha inesperada que sempre aparece para o Brasil.

Como se vê, não faltarão motivos para acompanhar nas próximas madrugadas uma Olimpíada que já é histórica antes mesmo de começar.

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