Buda Mendes/CPB
Buda Mendes/CPB

Brasil vai ao Mundial de Atletismo Paralímpico para superar marca de 2013

Evento será realizado em Dubai, nos Emirados Árabes, até o dia 15

João Prata, enviado especial a Dubai*, O Estado de S.Paulo

06 de novembro de 2019 | 18h00

A equipe de atletismo foi fundamental para o Brasil bater o recorde de pódios e de medalhas de ouro nos Jogos Parapan-Americanos de Lima, em agosto - das 257 conquistas, 82 saíram das provas de pista e de campo. Agora, uma delegação composta por 43 atletas vai a Dubai tentar também entrar para a história no Mundial da modalidade.

A nona edição do evento acontecerá entre esta quinta-feira e 15 de novembro nos Emirados Árabes. A meta é superar o Mundial de Lyon, de 2013, quando o País teve seu melhor desempenho ao terminar na terceira colocação na classificação geral com 40 medalhas, sendo 16 de ouro. Na ocasião, o Brasil levou 35 atletas e 24 subiram ao pódio.

O presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Mizael Conrado, evita fazer projeções, mas está otimista. "Construímos ao longo deste ciclo paralímpico uma base ampla de atletas de ponta, o que nos coloca em posição de brigar por uma quantidade expressiva de medalhas", disse.

Yohansson Ferreira, hoje com 32 anos, foi um dos que mais contribuíram para a excelente performance nacional em Lyon. Na época, ele já era um dos destaques da delegação e conquistou um ouro, uma prata e um bronze. Yohansson nasceu sem as mãos e compete na classe T-46 desde 2005. Em Lima, terminou com a prata nos 100m, atrás do compatriota Petrúcio Ferreira.

Veterano da atual equipe brasileira, Yohansson destaca a importância de mesclar jovens e veteranos na delegação. "Sou de uma geração que vem competindo há bastante tempo e estou fazendo parte dessa renovação. Quando comecei, em 2005, pensavam nos Jogos de Londres-2012, nem se falava em Tóquio-2020. Sei que daqui 20, 30 anos vai continuar existindo esporte paralímpico. E espero que continue a brilhar", disse.

PROCESSO  DE RENOVAÇÃO

A média de idade dos atletas que vai a Dubai é de 28,6 anos. A paulista Beth Gomes, de 54 anos, é a mais velha e vai a Dubai em busca do ouro. Ela bateu o recorde mundial no lançamento de disco e vem de dois primeiros lugares no Parapan de Lima. Ganhou também no arremesso de peso. Beth tem esclerose múltipla e compete na classe F52.

O caçula da delegação é Christian Gabriel, de 17 anos, promessa brasileira nos eventos de velocidade da classe T37 (paralisados cerebrais). Ele vem de dois ouros conquistados no Mundial Sub-17. Os 43 atletas estão divididos entre 29 homens e 14 mulheres. Por deficiência, a equipe brasileira é composta por 25 pessoas com limitações físicas, 17 deficientes visuais e um deficiente intelectual. Doze atletas-guia completam o time.

TRÊS PERGUNTAS PARA....

Mizael Conrado, presidente do CPB

Qual é a expectativa para o Mundial?

O Comitê Paralímpico Brasileiro tem uma expectativa muito boa para a nossa participação no Mundial de Atletismo de Dubai. Construímos ao longo deste ciclo paralímpico uma base ampla de atletas, o que nos coloca em posição de brigar por uma quantidade expressiva de medalhas. O aumento da presença de brasileiros entre os melhores do ranking mundial, tanto nas provas de campo quanto de pista, certamente se refletirá em um resultado muito satisfatório.

Há uma meta de medalhas?

Não trabalhamos com uma meta específica de medalhas para o Mundial de Atletismo, mas confiamos em uma boa participação da nossa delegação. Será uma grande oportunidade para avaliarmos nosso trabalho e fazermos os últimos ajustes antes dos Jogos de Tóquio.

 De que maneira o Mundial contribui para Tóquio-2020?

O atletismo é uma modalidade estratégica em nosso planejamento e o resultado em Dubai nos dará uma estimativa mais precisa da nossa posição no cenário mundial. Para nos mantermos no Top 10 do quadro-geral dos próximos Jogos Paralímpicos temos, obrigatoriamente, de ter um ótimo desempenho no atletismo.

*o repórter viaja a convite do Comitê Paralímpico Brasileiro

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