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Brasil vive dia decisivo nos ringues

Cinco boxeadores lutam pela chance de melhorar a posição brasileira no quadro de medalhas

Demétrio Vecchioli, enviado especial ao Rio, O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2016 | 05h00

A meta brasileira de ficar entre os 10 primeiros no quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos do Rio passa diretamente pelo que vier a acontecer na tarde deste domingo no pavilhão 6 do Riocentro. Cinco boxeadores brasileiros sobem ao ringue em confrontos eliminatórios que tanto podem permitir fazer do boxe o carro-chefe de medalhas no Time Brasil como podem deixar o País com apenas um bronze na modalidade, depois de ir ao pódio três vezes em Londres.

Uma medalha já está garantida. Robson Conceição está na semifinal da categoria leve (até 60 kg) e tem a certeza de que, ainda que perca para o cubano Lazaro Jorge Álvarez, às 12h30, terá uma medalha de bronze para chamar de sua, uma vez que não há disputa de terceiro lugar no boxe. O objetivo, claro, é se classificar para a final e brigar para ser campeão olímpico antes de migrar para o boxe profissional.

O confronto entre Robson e Lazaro é a luta que todos no boxe brasileiro aguardavam com ansiedade – uma espécie de Rafael Silva x Teddy Riner no judô. O cubano é tricampeão mundial, venceu o baiano na final do Mundial de 2013 e eliminou Robenilson de Jesus nos Jogos Olímpicos de Londres. Robson o venceu no Campeonato Continental do ano passado, mas é o resultado do Rio-2016 que vai entrar para a história.

“O Lazaro é um atleta completo. Não à toa é tricampeão mundial, campeão olímpico. Tem bons resultados em todas as competições que vai. Mas estou bem treinado, tranquilo, consciente, e vamos atrás do desempate”, promete Robson, que venceu por decisão unânime dos árbitros o último duelo entre ambos.

ESPERANÇAS

Na preliminar da luta que pode colocar Robson na final, o também baiano Robenilson de Jesus enfrenta o norte-americano Shakur Stevenson, de apenas 19 anos, atual campeão olímpico da juventude e quarto cabeça de chave. Se vencer pela segunda rodada, ele ainda tem mais um confronto para garantir a medalha.

Michel Borges está muito mais perto na categoria até 81 kg. Se Rafaela Silva fez a festa da Cidade de Deus, o boxeador de 25 anos quer colocar o Vidigal no quadro de medalhas. Cria do projeto social Todos na Luta, Michel está a uma vitória de chegar à semifinal e garantir o bronze. O caminho não será fácil.

Às 13h45, ele sobe ao ringue contra Julio Cesar la Cruz, cubano tricampeão mundial e bi dos Jogos Pan-Americanos. Uma tarefa difícil, mas não impossível. Em Londres, há quatro anos, foi exatamente esse combate que deu o bronze a Yamaguchi Falcão, à época tido como azarão.

“Vou jogar de forma bem inteligente. Não é qualquer golpe que você pode jogar nele. Posso falar que, em 2012, fiz toda a preparação ajudando o Yamaguchi. Um pouco dessa vitória dele foi minha também. Fiz bastante sparring com ele na época e, se ele chegou nessa vitória, também posso. Acredito que o La Cruz é um ser humano como qualquer outro”, aposta Michel, que virou titular da seleção quando Yamaguchi se tornou profissional.

Rivalidade também não vai faltar na estreia de Andreia Bandeira na categoria até 75kg. O sorteio a colocou diante da panamenha Atheyna Byion, a quem conhece muito bem. Em abril, a rival a venceu no Campeonato Continental. Um mês depois, em maio, deu Andreia no duelo de estreia do Mundial. “Fiz uma boa preparação e acredito que vai ser um duelo parelho. Já ganhei dela, assim como ela já ganhou de mim”, diz Andreia. Ela luta às 17h.

Duas horas depois, pela categoria até 64kg, Joedison Teixeira faz sua segunda luta na competição. O “Chocolate”, de apenas 22 anos, caçula do time, vem de vitória sobre o argelino Abdelkader Chadi, sexto cabeça de chave, e encara o turco Batuhan Gozgec. Se vencer, terá mais uma luta pela frente para tentar assegurar uma medalha.

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