Dean Treml/Reprodução
Dean Treml/Reprodução

Brasileira participa de Mundial de Desportos Aquáticos na Coreia do Sul

Jacqueline Valente chega em alta na competição após ter conquistado o segundo lugar na Copa do Mundo, na China

Luis Filipe Santos, Estadão Conteúdo

21 de julho de 2019 | 16h05

Ginasta, artista de circo e atleta de saltos ornamentais - de grandes alturas. Jacqueline Valente é ou já foi tudo isso. A gaúcha de 33 anos é a brasileira que tem se destacado nas competições de high-diving, como são chamados quando os saltos são realizados de 20m ou mais, podendo cair em uma piscina ou mesmo no mar, quando a ‘plataforma’ são penhascos. Ela estará presente no Mundial de Desportos Aquáticos que está ocorrendo em Gwangju, na Coreia do Sul.

Jacqueline treinou ginástica até os 17 anos e chegou a integrar a seleção brasileira, mas acabou se afastando do esporte depois de uma lesão. Na sequência, passou a integrar a trupe de um circo, se aproveitando do conhecimento em acrobacias aéreas de que já dispunha. Em 2012, perdeu uma aposta com um colega e teve que fazer um ‘high diving’ durante uma apresentação. Ela gostou daquilo e começou a fazer outras vezes.

“Para você ver, uma aposta perdida foi minha sorte grande. Acabei descobrindo que amo saltar e fazia isso com frequência. Recebi um convite da Red Bull para entrar em uma competição patrocinada por eles em 2013, acho que eles viram vídeos das minhas apresentações no youtube, mas não pude participar por causa de uma lesão”, relata ela sobre o começo nos torneios.

O convite foi repetido no ano seguinte e, dessa vez, Jacqueline foi. “Por vários anos, eu participava, mas não treinava como uma atleta. Ia uma semana antes da competição para o local e treinava lá, do jeito que dava”, conta Jacqueline, que não encontrava clubes que a aceitassem como atleta, por não terem a estrutura necessária. Esse tipo de situação mudou em 2019.

Com a dica de uma amiga, se mudou para Palhoça (SC) e foi acolhida na Unisul, onde treina atualmente. “A estrutura ainda não é perfeita, já que o andaime tem 17 metros e não 20 que é a altura das principais competições. Mas já melhorou muito, agora tenho um treinador que me acompanha no dia a dia e mais gente do meu lado - chamo eles de ‘equipe dos sonhos’, esse é até o nome do grupo no whatsapp”, revela a atleta, animada.

Com os treinos diários e o acompanhamento, Jacqueline conseguiu uma medalha de prata na Copa do Mundo do High Diving em 2019, realizada em Zhaoqing, na China - o ouro ficou com a australiana Rhiannan Iffland. Foi a primeira medalha de uma atleta brasileira em um Mundial de Saltos Ornamentais.

Em Palhoça, ela contou com o apoio da prefeitura para ter o andaime de 17 metros, mas ainda não tem patrocínios, e banca a rotina de atleta do próprio bolso. 

Sem preocupações

O High Diving é um esporte que demanda muitas preocupações de segurança - caso um atleta erre no contato com a água, pode acabar desacordado. Por isso, caso a competição seja realizada no mar, sempre há mergulhadores na água caso um resgate seja necessário, além da presença de ambulâncias e da vistoria de profundidade realizada com antecedência. Jacqueline conta que, apesar de ser possível acontecer algo sério, isso não passa por sua cabeça no dia a dia.

“Talvez por eu ter sido ginasta, sempre tive muita noção do meu corpo, do lugar que ocupo no espaço. Por isso, esse tipo de coisa não me passa pela cabeça. Lógico que vem um frio na barriga antes de saltar, mas muito mais pela expectativa de realizar a rotina no ar que planejei e conseguir uma boa nota”, responde sobre a situação.

“Quando estou no ar, é puro divertimento. O primeiro pensamento quando chego na água é ‘quero de novo, mais outro salto’. Eu já me sinto orgulhosa com o que alcancei, tanto por eu seguir esse esporte que é a minha paixão quanto por ter conseguido a primeira medalha de uma brasileira em um torneio mundial de saltos ornamentais”, finaliza Jacqueline.

O High-Diving estará no Mundial de Desportos Aquáticos pela quarta vez em 2019. A competição será disputada nos dias 22 e 23 de julho. O esporte não é olímpico - algo que Jacqueline espera (e torce) que mude em breve, para a Olimpíada de Paris em 2024.

Tudo o que sabemos sobre:
Saltos Ornamentais

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.