Denis Ferreira Neto/Estadão
Denis Ferreira Neto/Estadão

Brasileiras da canoagem remam rumo aos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020

Andrea Oliveira e Angela Aparecida treinam forte em Curitiba e os resultados são bastante promissores

Nathalia Garcia, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2017 | 17h00

Primeiro brasileiro a conquistar três medalhas em uma Olimpíada, Isaquias Queiroz ampliou o horizonte para a canoagem velocidade no Brasil. A baiana Andrea Oliveira e a paulista Angela Aparecida aproveitam para remar nessa correnteza. Uma das novidades para a Olimpíada de Tóquio, em 2020, é a introdução das provas de canoa feminina – C1 200 m e C2 500 m –, e a dupla brasileira já desponta como promessa no cenário internacional.

Em maio, Andrea e Angela trouxeram para casa a medalha de ouro na disputa de C2 200 metros na etapa da Copa do Mundo de Szedeg, na Hungria. A prova não consta no programa olímpico, mas o pódio serve como parâmetro para o trabalho em desenvolvimento. 

Balancear a força de Angela e a explosão de Andrea é a fórmula buscada pelo português Rui Fernandes, técnico da seleção brasileira permanente. As canoístas, que trocaram de posição na embarcação recentemente, ainda estão na fase de adaptação. Os resultados, por sua vez, já indicam que a inversão foi acertada. "A Andrea marca melhor na frente, eu consigo apoiar melhor atrás. Sou mais resistente e ela é mais rápida. A gente se dá bem", diz Angela.

De olho no Mundial da República Checa, em agosto, as brasileiras concentram os esforços na preparação para a distância 500 metros. "Precisamos manter a velocidade em ritmo constante e deixar o barco sempre alinhado. Qualquer deslize é fatal", afirma Andrea. 

Parceiras dentro da água, as atletas também estão juntas fora dela. Cumplicidade e sintonia que se entrelaçam no esporte e na vida. Além da embarcação, dividem um apartamento em Curitiba, em um condomínio ocupado pelos atletas enquanto integram a seleção brasileira permanente de canoagem.

Origens

O frio da capital paranaense é a única reclamação de Andrea, que nasceu em Aurelino Leal, no interior da Bahia. A cidade se separa de Ubaitaba – o 'celeiro da canoagem' – somente pelo Rio de Contas. A jovem conheceu o esporte em 2012, quando um amigo da capoeira, Dalvan Luz, a convidou para pegar a balsa e ir até a Associação Cacaueira de Canoagem. O que era brincadeira virou profissão depois da conquista da primeira medalha, em uma competição em Mato Grosso do Sul. 

Andrea é uma das apostas do Comitê Olímpico do Brasil (COB) para os Jogos de Tóquio e participou do projeto Vivência Olímpica na Rio-2016. "Achei o máximo, tiveram várias palestras. As pessoas mostraram como é a rotina para que a gente não fique deslumbrado com tudo aquilo quando for competir. Foi uma experiência muito boa", exalta.

A baiana de 25 anos se destaca também no individual e já foi medalhista no Mundial Sub-23. Na etapa da Copa do Mundo na Hungria, terminou a prova C1 200 m (olímpica) na quarta posição. Apesar da proximidade com Isaquias Queiroz na escolinha baiana, nunca pediu conselhos sobre a canoagem ao conterrâneo. "Eu sou bem quietinha, não sou muito de conversar", justifica. 

A timidez também é uma característica de Angela, que se espelha na equipe masculina de canoagem velocidade reunida em Lagoa Santa (MG) e deseja um dia ser orientada por Jesús Morlán. Até hoje guarda o conselho dado pelo espanhol em um encontro casual, em 2014.

"Ele me mandou seguir em frente, falou que eu tinha bastante futuro. Disse que eu não poderia desistir e que tinha de batalhar pelo meu sonho. Em um momento em que estava desacreditada, foi uma pessoa que me ajudou bastante. Teve 70% de influência na minha decisão de continuar", relembra.

O esporte mostrou para Angela um mundo que ela não conhecia em São Vicente, no litoral paulista. Em 2011, o irmão Everaldo levou-a até a canoagem. No início, conciliava a vida de atleta com o trabalho como balconista. À medida que os resultados apareceram, passou a se dedicar mais aos treinos. 

Ouviu de Pedro Sena, o treinador que revelou Isaquias, que tinha potencial e contou com o incentivo do precursor Nivalter Santos. A persistência da paulista, hoje com 29 anos, se transformou na chance real disputar a Olimpíada e fazer história na canoa ao lado de Andrea.

 

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